QUANDO DEVO PROCURAR UM PSICÓLOGO? E UM PSIQUIATRA?

GAZETA DO POVO | Cada profissional de saúde age de uma forma e entender os sintomas e a causa do problema ajudam na escolha

Na hora de buscar ajuda para manter a saúde mental, é comum surgir a dúvida: procuro um psicólogo ou um psiquiatra? A escolha, porém, depende muito da situação e dos sintomas que a pessoa apresentar. Para explicar sobre essa diferença, o médico psiquiatra Edvino Krul Junior relatou duas histórias e pediu para que os leitores da Gazeta do Povo, durante o Papo Saúde desta quinta-feira (06), indicassem qual seria o caso de buscar um psicólogo e qual exigiria o atendimento do psiquiatra.

PSIQUIATRA OU PSICÓLOGO?

CASO A – O homem tem um bom emprego, é casado e é feliz no casamento, não tem problemas financeiros e nem de relacionamento. Porém, nos últimos anos, tem se sentido triste – e não sabe apontar qual é a razão desse sentimento negativo.

CASO B- Outro homem que está passando por uma situação de estresse, com brigas no casamento, inclusive levando ao fim do relacionamento. Nada parece dar certo no trabalho e sente-se constantemente irritado.

“O caso A parece que a vida da pessoa está toda organizada e não tem um motivador aparente para ele se sentir triste. Parece ser uma doença, de ser algo químico que está errado no organismo. Neste caso, é importante buscar um psiquiatra“, explica o médico.

“O caso B, por outro lado, tem um motivador. É o estresse no trabalho e em casa. Parece ser uma reação àquela situação vivenciada e poderia ser solucionado pensando nos relacionamentos daquela pessoa. É o caso, portanto, de buscar um psicólogo“, completa Krul Junior.

“Quem procura por um psiquiatra deveria também procurar um psicólogo, porque o resultado do tratamento em junto melhora”, diz o médico Edvino Krul Junior.

Essa é uma dúvida comum quando se fala de estresse e, principalmente, quais os sintomas, sequelas, cuidados e tratamentos do Estresse Crônico. O assunto foi o tema do Papo Saúde desta quinta-feira (06), e reuniu leitores da Gazeta do Povo no Núcleo Estilo de Vida, do espaço A Fábrika para a palestra “O stress crônico e sua relação com os sintomas de urgência e emergência médica”.

Ao lado do médico psiquiatra, o médico e diretor médico da Plus Santé Miguel Mariano Marzinek tratou dos sinais de estresse crônico e alertou: “Muitas pessoas tendem a confundir e a achar que estão enfartando, entrando em convulsão ou mesmo tendo um AVC, quando na verdade são sinais decorrentes de um estresse crônico”.

“Quando a pessoa passa por uma situação de estresse, a pupila dilata, a pele fica mais pálida, a musculatura tensiona, o coração acelera e esses são sinais comuns e até saudáveis, dependendo da situação. O problema está quando esses sintomas se prolongam e predispõem o organismo a outras doenças, como úlceras, gastrites e até mesmo problemas cardíacos”, explica Marzinek.

SEU FILHO É REJEITADO NA ESCOLA? VEJA COMO AJUDÁ-LO

GAZETA DO POVO | Pais de crianças que são isoladas pelos colegas sofrem junto com os filhos. Saiba como lidar com essa situação.

É comum vermos nas escolas aquelas crianças que são isoladas pelos colegas. O isolamento entre crianças normalmente acontece por conta das diferenças. Ou porque o coleguinha está acima do peso, ou usa aparelho nos dentes, porque é muito magro, ou muito calado. “Na infância, as diferenças não são bem vistas. As crianças não têm maturidade para entender e aceitar as diferenças e por isso excluem e rejeitam quem é diferente”, explica a psiquiatra Beatriz Rosa, que atende crianças no hospital Santa Marcelina, em São Paulo.

Tão difícil quanto para a criança é para os pais, que sentem na própria pele a rejeição do filho. A dúvida é como agir em uma situação dessas, quando o filho não é aceito pelos colegas ou sofre ao ser isolado pelo grupo. A dica da psiquiatra é: primeiro entenda o que está acontecendo em uma conversa franca com a criança. Depois, procure a escola.

“Os pais e a escola devem trabalhar juntos. A escola deve ser a intermediadora, por exemplo, de uma conversa entre os pais da criança que sofre e a que faz o bullying”, diz. É comum entre as crianças que sofrem bullying — isolamento coletivo é bullying — e são rejeitadas por serem diferentes, a presença do sentimento de culpa. “Ela vai sentir que o problema é ela, que fez algo de errado e é inadequada. Ela está machucada”, afirma a psiquiatra.

CUIDE DA AUTOESTIMA
Em casos como este, a autoestima da criança precisa ser trabalhada. Em casa, as conversas com os pais devem sempre focar nas características positivas, no que o filho tem de melhor. “Claro que os pais também podem falar sobre pontos que a criança poderia melhorar, por exemplo, mas sempre cultuando os pontos fortes da personalidade dela”, diz Beatriz.

Matricular a criança em um esporte ou outro tipo de atividade extracurricular também pode ajudá-la a desenvolver a socialização, segundo a psiquiatra. Na dúvida se o seu filho está sofrendo algum problema mais sério, procure um especialista. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar.

Sinais que a criança está sofrendo rejeição:
* Mudança de comportamento
* A criança fica mais calada, por exemplo, ou repentinamente agressiva
* Não quer mais ir para escola
* Evita falar sobre os motivos que estão incomodando

“SMARTPHONES SÃO PERFEITOS PARA VICIAR”, DIZ PROFESSOR AMERICANO

GAZETA DO POVO | Quem cria videogames, segundo especialista, não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos

Em um novo livro, “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” (Irresistível: o crescimento da tecnologia que nos vicia e o que é feito para nos manter assim), o psicólogo social Adam Alter adverte que muita gente – jovens, adolescentes, adultos – é viciada em produtos digitais modernos. Não no sentido figurado, mas literal. Alter, de 36 anos, é professor associado da Faculdade de Administração Stern da Universidade de Nova York, e pesquisa psicologia e marketing. Confira a entrevista:

O QUE O FAZ PENSAR QUE AS PESSOAS ESTÃO VICIADAS EM DISPOSITIVOS DIGITAIS E MÍDIAS SOCIAIS?
Antigamente, víamos o vício como algo basicamente relacionado a substâncias químicas: heroína, cocaína, nicotina; hoje, temos o fenômeno do vício comportamental no qual, segundo me disse um líder de indústria de tecnologia, a pessoa passa quase três horas por dia presa ao celular; no qual o adolescente chega a passar semanas sozinho no quarto, jogando videogame; no qual o Snapchat orgulhosamente relata que seus jovens usuários abrem o aplicativo mais de 18 vezes por dia. Os vícios comportamentais estão bem disseminados hoje. Um estudo de 2011 sugeriu que 41% das pessoas têm pelo menos um deles, mas esse número certamente deve ter aumentado com a adoção de novas plataformas de redes sociais mais viciantes, tablets e smartphones.

COMO VOCÊ DEFINE “VÍCIO”?
A definição que adoto é a que o relaciona a algo que você gosta de fazer em curto prazo, mas que prejudica o seu bem-estar em longo prazo – e que você faz compulsivamente mesmo assim. Somos biologicamente propensos ao vício nesse tipo de experiência. Se você colocar alguém na frente de uma máquina caça-níqueis, seu cérebro, de forma qualitativa, irá se parecer com o de quem usou heroína. Se você é alguém que joga videogame compulsivamente – não todo mundo, mas as pessoas que são viciadas em um jogo em particular –, no momento em que ligar seu computador, seu cérebro ficará parecido com o de alguém que usa drogas. Fomos projetados de tal forma que, quando uma experiência estimula os locais certos, nosso cérebro libera dopamina. Você recebe uma enxurrada desse neurotransmissor, que faz com que se sinta maravilhoso em curto prazo, embora em longo prazo você desenvolva um nível de tolerância e acabe querendo mais.

AQUELES QUE DESENVOLVEM AS NOVAS TECNOLOGIAS COMPREENDEM O QUE ESTÃO FAZENDO?
Quem cria videogames não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos. Alguns jogos para smartphones exigem que você pague para jogar, então querem que você continue jogando. Os desenvolvedores de jogos colocam certa quantidade de “recompensa”, assim como acontece com os caça-níqueis, permitindo vitórias ocasionais para manter seu interesse. Não é de surpreender, portanto, que os desenvolvedores muitas vezes testam diferentes versões de um lançamento para ver qual delas é mais irresistível, qual irá manter sua atenção por mais tempo. Funciona. Para o livro, falei com um jovem que estava sentado na frente do computador jogando videogame por 45 dias consecutivos! O jogo compulsivo destruiu outros aspectos da sua vida. E acabou em uma clínica de reabilitação no estado de Washington, a reSTART, especializada no tratamento de jovens com vício em jogo.

PRECISAMOS DE UMA LEGISLAÇÃO QUE NOS PROTEJA?
Essa não é uma má ideia a se considerar, pelo menos para os jogos on-line. Na Coreia do Sul e na China, há propostas de algo que chamam de Leis da Cinderela. A ideia é evitar que as crianças acessem certos jogos depois da meia-noite. O vício em jogos e na internet é um problema sério em toda a Ásia Oriental. Na China, há milhões de jovens com esse problema. Tiveram que criar locais onde os pais internam seus filhos durante meses para serem tratados com terapia, fazendo um regime de desintoxicação.

POR QUE VOCÊ AFIRMA QUE MUITOS DOS NOVOS APETRECHOS ELETRÔNICOS PROMOVEM VÍCIOS COMPORTAMENTAIS?
Bom, é só ver o que as pessoas estão fazendo. Em uma pesquisa, 60% dos adultos disseram que dormem com o celular ao lado da cama. Em outra pesquisa, metade dos entrevistados afirmou verificar seus e-mails no meio da noite. Além disso, esses novos aparelhos se tornaram o meio perfeito para a mídia viciante. Se os jogos e mídias sociais antes eram limitados ao computador doméstico, hoje os dispositivos portáteis permitem que você os acesse em qualquer lugar. Agora verificamos as redes sociais constantemente, o que interrompe o trabalho e a vida cotidiana. Estamos obcecados com o número de “curtidas” que nossas fotos recebem no Instagram, em vez de prestar atenção no caminhar que percorremos ou na pessoa com quem falamos.

QUE MAL HÁ NISSO?
Se você passa três horas por dia com o celular, não está passando esse tempo em interações cara a cara com as pessoas. Os smartphones têm tudo o que você precisa para desfrutar o momento, mas não exigem muita iniciativa. Você não precisa se lembrar de nada porque tudo está bem na sua frente. Não é preciso desenvolver a capacidade de memorizar ou de ter ideias novas. Acho interessante que Steve Jobs tenha dito em uma entrevista de 2012 que seus filhos não usavam iPads. Na verdade, há um número surpreendente de titãs do Vale do Silício que se recusam a deixar seus filhos perto de certos dispositivos. Há uma escola particular em San Francisco que não permite o uso de tecnologia, ou seja, nada de iPhones ou iPads. O fato mais interessante desse colégio é que 75% dos pais são executivos de tecnologia. Resolvi escrever “Irresistible” quando fiquei sabendo dele. O que há nesses produtos que os tornam, aos olhos dos especialistas, tão perigosos?

VOCÊ TEM UM FILHO DE 11 MESES DE IDADE. COMO VOCÊ INTERAGE COM SUAS TECNOLOGIAS QUANDO ESTÁ COM ELE?
Tento não usar o celular perto dele. Na verdade é uma das melhores atitudes para me forçar a não usá-lo tanto.

VOCÊ É VICIADO NISSO?
Acho que sim. De vez em quando me vicio em vários jogos. Como muitas pessoas da pesquisa que mencionei anteriormente, sou viciado em e-mail. Não consigo parar de checar. Não consigo dormir se não limpo minha caixa de entrada. Deixo meu celular ao lado da cama, mesmo tentando evitar fazer isso. A tecnologia foi projetada para nos pegar desse jeito. O e-mail não acaba nunca; as redes sociais são infinitas. Twitter? O feed nunca termina. Você poderia passar 24 horas por dia lá e nunca chegaria ao fim. Por isso, você volta querendo mais.

SE VOCÊ ESTIVESSE ACONSELHANDO UM AMIGO A LARGAR UM VÍCIO COMPORTAMENTAL, O QUE SUGERIRIA?
Pediria que pensasse em como está permitindo que a tecnologia invada sua vida. Depois, diria para isolá-la. Eu gosto da ideia de, por exemplo, não responder e-mails depois das seis da tarde. Em geral, aconselharia a encontrar mais tempo para estar em ambientes naturais, para se sentar frente a frente com alguém em uma longa conversa sem qualquer tecnologia na sala. Deveria haver momentos do dia parecidos com os da década de 1950, nos quais você se senta em algum lugar e não consegue dizer em que época está. Não deveríamos olhar tanto para telas.

COM TABLETS E CELULARES, CRIANÇAS PASSAM POR EPIDEMIA DE TRANSTORNOS DO SONO

GAZETA DO POVO | Conclusão se dá a partir da análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças norte-americanas

Se você não prestou atenção nas últimas orientações sobre o uso de eletrônicos publicadas pela Academia Americana de Pediatria, talvez queira tirar por um momento o tablet da mão do seu filho e rever a sua posição.

Uma análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças, publicada na segunda-feira, dia 31, no periódico JAMA Pediatrics, fornece as evidências mais fortes até o momento de uma relação entre o uso de aparelhos eletrônicos na hora de dormir e problemas de sono, falta de sono e sonolência excessiva durante o dia. Apesar de haver um pouco de exagero na caracterização popular das crianças andando sonolentas por aí como pequenos zumbis, o problema é sério.

Os pesquisadores dizem que as crianças norte-americanas, sobretudo os adolescentes, em meio à sua sobrecarga de tarefas e vício em mídias, estão passando por uma epidemia de transtornos do sono, o que vem contribuindo para todos os tipos de problemas de saúde, incluindo obesidade, depressão, ansiedade, hiperatividade, aumento de apetite, transtornos de humor, perda de reflexos e perda de memória.

Nos anos recentes, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) vêm fazendo pressão para que sejam adiados os horários de aula no final do ensino fundamental e ao longo do ensino médio, como uma forma de aumentar as possibilidades de que os adolescentes tenham pelo menos oito horas de sono por noite. A ideia tem o apoio da ciência, mas é polêmica por conta de todo tipo de motivos financeiros, logísticos e políticos.

O novo estudo da JAMA Pediatrics, liderado pelo pesquisador Ben Carter, do King’s College London, envolve a análise de estudos anteriores com crianças em idade escolar, entre 6 e 19 anos, na América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. Carter e seus colegas descobriram que as crianças que utilizam aparelhos eletrônicos na hora de dormir têm o dobro de chances de dormirem menos de nove horas de sono por noite. As que ficam com telefones e outros gadgets no quarto têm 50% mais chance de sofrerem com uma noite mal dormida e 200% mais chance de excesso de sonolência durante o dia.

Num comentário que acompanha o estudo, Charles A. Czeisler, da divisão de Medicina do Sono da Harvard Medical School, e Theresa L. Shanahan, pediatra de Harvard, explicaram que “o uso de aparelhos de mídia móvel na hora de dormir fornece um material social e fisiologicamente estimulante num momento em que a transição para o sono exige que o cérebro comece a relaxar. (…) É difícil resistir a conteúdos interessantes, e as crianças com frequência têm medo de perderem acontecimentos importantes caso se desconectem”.

O problema não se resolve apenas indo dormir na hora certa. Há também um componente físico na exposição às telinhas. Czeisler e Shanahan descrevem a luz azul emitida pelas telas, bem como também por lâmpadas de LED, como “biologicamente potentes”, e dizem que ela suprime o hormônio melatonina, que manda o cérebro ir dormir. E é bom não esquecer também das notificações de mensagens de texto, que fazem acordar.

Czeisler e Shanahan notam que o estudo demonstra que a mera presença de um aparelho eletrônico no quarto na hora de dormir pode causar perturbações de sono e sugerem que mais pesquisas serão necessárias para se compreender o que isso faz às mentes e aos corpos das crianças. “Essas descobertas deixam claro que o rápido desenvolvimento do uso de tecnologia e mídia ultrapassou a capacidade dos pesquisadores da área médica de avaliar os efeitos positivos e negativos da exposição constante à mídia durante os anos críticos de desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes”, afirmaram.

ANTES DA DIETA E DA ACADEMIA, PROCURE O PSICÓLOGO

GAZETA DO POVO | Comer é um ato mais emocional do que se imagina e o psicólogo tem um papel importante, ao lado do nutricionista, na vida saudável do paciente

Entender os motivos pelos quais você não consegue dizer ‘não‘ ao brigadeiro e foge da academia sempre que pode é tão importante quanto se inscrever no exercício do verão ou começar uma dieta detox que seca a barriga. Para fazer essa análise do seu comportamento, existe uma linha dentro da psicologia conhecida por nutrição comportamental, que faz uso de técnicas motivacionais e de adesão para que o paciente consiga manter a tão sonhada vida saudável.

“Por que é tão difícil aceitar a privação de alguns alimentos? Por que não conseguimos manter uma rotina? O trabalho do psicólogo é fundamental no início, logo que a pessoa decide mudar os hábitos, para motivar e educar as pessoas sobre essas mudanças na vida. Depois de um tempo, o trabalho muda para dar o suporte que a pessoa precisar e ajudá-la a manter os resultados obtidos”, explica Carolina Halperin, psicóloga cognitivo comportamental da clínica Wainer Psicologia Cognitiva, em Porto Alegre (RS).

O primeiro encontro com o psicólogo, que pode acontecer antes de qualquer tomada de decisão ou mesmo depois de o paciente começar a fazer exercícios e se alimentar melhor, é estruturada e focada no futuro. “Terapeuta e paciente estabelecem, juntos, quais serão as metas, o que o paciente deseja alcançar e trabalham com uma série de técnicas de motivação, de engajamento que ajudam a manter a dieta ou a rotina na academia”, afirma a psicóloga.

Dessas técnicas, Carolina cita a da balança, uma das mais comuns para ajudar na motivação do paciente. “Fazemos junto com o paciente uma balança de vantagens e desvantagens de fazer uma dieta, de começar um exercício físico. E as pessoas colocam no papel mesmo, no modo antigo. Ao ver a lista, conversar sobre aquilo, a pessoa passa a entender o que está por trás dessas escolhas”, explica.

MISS BRASIL 2016 É A PRIMEIRA NEGRA APÓS 30 ANOS

VEJA | Ela estuda marketing, é modelo e se tornou a segunda mulher negra da história do Brasil a ganhar a premiaçãomiss-brasil-raissa-santana-20161002-001

Representante paranaense que vive em Umuarama, a baiana Raissa Santana, de 21 anos, foi a vencedora do concurso de beleza mais tradicional do país. Ela estuda marketing, é modelo e se tornou a segunda mulher negra da história do Brasil a ganhar a premiação. As três décadas sem nenhuma representante afro-descendente entre as ganhadoras serviu de inspiração para Raissa durante a competição. Na hora de justificar porque merecia a coroa, a paranaense disse que queria quebrar “o jejum de 30 anos”.

Há exatos 30 anos, a gaúcha Deise Nunes levou o título e se tornou a primeira Miss Brasil negra.

Pela primeira vez, seis candidatas negras disputaram o concurso de beleza (representantes dos estados da Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Paraná, Rondônia e São Paulo). Isso equivale a 25% das participantes. Ao mesmo tempo, a representatividade negra ainda é baixa nos concursos de beleza, visto que mais da metade da população brasileira (cerca de 54%) é formada por pessoas negras.

BÍBLIA SAGRADA OCUPA O 1º LUGAR NO RANKING DOS LIVROS MAIS LIDOS DO PAÍS

ULTIMATO | A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizado pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, registrou que 50% das pessoas que não estão estudando e 31% dos estudantes entrevistados citaram a Bíblia Sagrada como o “gênero” de livro mais lido.

A Bíblia Sagrada continua sendo o livro mais lido, em qualquer nível de escolaridade. Esse é o resultado da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que destaca o Livro Sagrado em primeiro lugar nas listas entre os “livros mais marcantes” e os “últimos livros mais lidos”. Este é o terceiro ano consecutivo em que a Bíblia aparece nesta colocação.

No “gênero” de livro que mais costuma ser lido, a Bíblia foi citada por 50% das pessoas que não estão estudando e por 31% das que estão estudando. Nesta pesquisa, foi registrado, ainda, que entre as “principais motivações para ler um livro” estão os motivos religiosos (11%). Já o “local preferido para comprar livros”, 44% dos entrevistados preferem a livraria física, 19% pelas bancas de jornal e revista, 15% pelas livrarias online e 9% preferem as igrejas e outros espaços religiosos.

Desenvolvida pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), a pesquisa foi anunciada durante seminário, realizado em 18 de maio, em São Paulo. Foram entrevistadas 5.012 pessoas.

No ano passado, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), distribuiu 7.622.674 Bíblias. O número representa um aumento de 0,13% em relação ao ano anterior. “A Bíblia Sagrada é o livro mais lido, traduzido e distribuído de todos os tempos. Essa pesquisa reforça a importância que a Palavra de Deus tem na vida das pessoas. Ela é fonte de orientação e conforto. Além disso, seus ensinamentos têm aplicação para todos os momentos da vida”, analisa o secretário de Comunicação, Ação Social e Arrecadação da SBB, Erní Seibert.

Para incentivar o hábito da leitura e fazer com que cada vez mais pessoas tenham acesso à Palavra de Deus, a SBB realiza uma série de programas. Entre eles, destaca-se o movimento “A Bíblia em Cada Casa”, que tem o desafio de colocar, até 2050, a Bíblia nos cerca de 50 milhões de lares brasileiros. Outro importante programa é o “Clube Uma Bíblia por Mês”, que reúne pessoas que se dispõem a doar, mensalmente, o valor de um exemplar da Bíblia Sagrada. Os recursos arrecadados permitem levar a Bíblia para pessoas que ainda não possuem um exemplar.

MAIS DADOS DA PESQUISA
A pesquisa do Instituto Pró-Livro aponta também um aumento no número de leitores no País. Em 2011, registrava 50% da população, e em 2015 chegou a 56%. O resultado mostrou que o leitor brasileiro lê 4,96 livros por ano, sendo 0,94 indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Na edição anterior da pesquisa, a média era de quatro livros lidos por ano e a Bíblia Sagrada também ficou em primeiro lugar na lista de preferência dos leitores.

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44% DA POPULAÇÃ BRASILEIRA NÃO TEM HÁBITO DE LEITURA

GAZETA DO POVO | Parcela de brasileiros que se considera leitora subiu de 55%, em 2007, para 56% em 2015. Gibis e Bíblia também foram considerados livros para a pesquisa nacional

A quarta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apresentada hoje pelo Instituto Pró-Livro (IPL), mostrou que pouco mais da metade dos brasileiros se diz ‘leitora’. Comparando com as pesquisas anteriores, há pouca variação no índice nos últimos oito anos. Em 2007, 55% dos brasileiros foram considerados leitores, em 2011, esse porcentual caiu para 50%. Os dados mais recentes, coletados entre novembro e dezembro do ano passado, mostram que 56% da população brasileira se considerava leitora. Para a publicação, é considerado “leitor” todo aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.

A pesquisa ouviu, por meio do Ibope Inteligência, 5 mil entrevistados de mais de 5 anos de idade, alfabetizados e não alfabetizados, em todas as regiões brasileiras, proporcionalmente aos dados da última Pnad. A iniciativa é fruto da parceria com a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

De acordo com as entrevistas, o brasileiro lê, em média, 2,54 livros, inteiros ou em parte, no periodo-referência de três meses anteriores à pesquisa, entre literatura, contos, romances, poesia, gibis, Bíblia, livros religiosos e livros didáticos. Deste total de 2,54 livros, cada leitor lê 1,06 livro inteiro e 1,47 em partes. Ainda segundo o IPL, a diferença de leitura entre homens e mulheres também diminuiu em relação às edições anteriores. Em 2011, as mulheres liam 2,06 livros e os homens 1,63. Agora elas aumentaram o número de livros lidos para 2,63 e eles atingiram 2,44.

Os resultados não são muito animadores, mas mesmo assim surpreendem, segundo Madalena Kriwouruska, coordenadora da Biblioteca Livre do Shopping Omar, que distribui livros gratuitamente pedindo apenas outros títulos em troca de forma não-obrigatória. Ela conta que esse aumento no público leitor não é tão perceptível assim na prática. “Vemos muita gente lendo, mas lendo em celulares, tablets, redes sociais, não livros. Ainda mais nesse período que estamos tendo tantas notícias políticas, crise, distrações eletrônicas, não vejo muita gente dizendo que vai parar e comprar livros”, diz. Ela comenta que uma coisa é a pessoa ser obrigada a ler, outra é ter esse hábito por interesse, quer dedicar tempo, entende que é algo positivo. Dos livros que são disponibilizados gratuitamente no projeto para a retirada da população, muitos somem rapidinho da prateleira. “Espero que tenham sido lidos, mas a verdade é que muita gente passa, vê que é de graça, pega e vai vender em sebos”, diz.

Na opinião de Vera Lúcia Cabral, especialista em políticas públicas e curadora do Bett Brasil Educar 2016, a pesquisa reflete, o crescimento registrado nos índices de aprendizagem da Prova Brasil nos últimos anos. “Na medida em que melhora a qualidade da educação, nos anos iniciais da educação básica, os estudantes incorporam os hábitos de leitura”, analisou.

Já Priscila Angélica Santos Sehnem, que é arte-educadora e professora de formação de leitores do Centro de Artes Guido Viario, acredita o aumento no número de leitores é resultado do trabalho de escolas e de projetos voluntários de acesso ao livro, como o feito na Biblioteca Livre de Madalena ou do projeto que a própria Priscila coordena na Rodoviária de Curitiba, o Passagens Literárias, inativo no momento. Apesar do número ser positivo, Priscila lembra que, mais do que termos mais leitores, é preciso incentivar a formação de leitores críticos, que entendem o que leram. “Programas de acesso à leitura ampliam o número de leitores, mas mesmo assim ainda falta um avanço muito grande para que além da leitura, haja entendimento e apropriação criativa ”, afirma.

PERFIL

Segundo a pesquisa, o percentual de pessoas não alfabetizadas ou que não frequentaram escola formal caiu de 9%, em 2011, para 8%, em 2015. Em 2011, o número de entrevistados que não estudavam era de 68% e, em 2015, passou para 73%, sendo o percentual de estudantes em 2015 27%. Quanto maior o nível de escolaridade , menores foram as proporções de motivação de leitura ligadas a “exigências escolares” ou “motivos religiosos” e maiores são as menções a “atualização cultural ou de conhecimento geral”.

VIDA COMEÇA COM UM CLARÃO DE LUZ

SEMPRE FAMÍLIA | Cientistas norte-americanos registraram “fogos de artifício” sendo gerados do encontro do espermatozoide com o óvulo

A vida humana começa com um clarão de luz, no momento em que o espermatozoide encontra o óvulo. Foi o que cientistas da Northwestern University, em Chicago, nos Estados Unidos, mostraram pela primeira vez, capturando em vídeo os incríveis “fogos de artifício”.

Em reportagem do The Telegraph, os pesquisadores explicam que uma explosão de pequenas faíscas irrompe do óvulo no exato momento da concepção. Cientistas já viram o fenômeno em outros animais, mas é a primeira vez que se comprova que isso também acontece com os humanos.

O brilho ocorre porque quando o espermatozoide se insere no óvulo ocorre um súbito aumento de cálcio que desencadeia a liberação de zinco. Quando o zinco é solto, prende-se a pequenas moléculas que emitem uma fluorescência que pode ser captada por câmeras microscópicas.

Não se trata apenas de um incrível espetáculo, que destaca o momento em que uma nova vida começa, como também o tamanho do brilho pode ser usado para determinar a qualidade do óvulo fertilizado.

Os pesquisadores reportaram que alguns óvulos brilham mais do que outros e isso se relaciona com a sua maior propensão a gerar um bebê saudável. “Foi memorável”, disse Teresa Woodruff, uma das autoras do estudo, ao jornal britânico. “Descobrimos as faíscas de zinco há apenas cinco anos em camundongos. Ver o mesmo acontecer em óvulos humanos foi de tirar o fôlego”.

“Toda a biologia começa na fecundação, mas ainda assim não sabemos quase nada sobre os eventos que acontecem na fecundação humana”, disse Woodruff.

No experimento, os cientistas usaram enzimas de espermatozoides em vez dos próprios espermatozoides para ver o que acontece no momento da concepção.

O estudo foi publicado em 26 de abril na revista Scientific Reports.

ADULTOS SÃO AINDA MAIS VICIADOS NA INTERNET DO QUE ADOLESCENTES

GAZETA DO POVO | Comer com dispositivos conectados ao lado e responder e-mails mesmo durante os fins de semana ou férias são atitudes comuns entre os mais velhos

É comum ouvir por aí pais reclamando que os filhos adolescentes não conseguem tirar os olhos do celular o dia inteiro. Uma pesquisa recente da Nielsen, no entanto, mostra que os jovens de hoje (conhecidos como geração Z) estão longe de serem os mais afoitos por tecnologia nos momentos livres.

A pesquisa da Nielsen ouviu mais de 30 mil pessoas em 60 países, no ano passado, para esmiuçar as diferenças de comportamento entre diferentes faixas etárias. Ao indagar se os entrevistados permaneciam usando aparelhos eletrônicos mesmo durante as refeições, o estudo comprovou que adolescentes e os chamados millenials (que têm hoje entre 21 e 34 anos) não abrem mão com facilidade de seus celulares, mas estão longe de serem os únicos.

O número de pessoas que disseram comer com dispositivos conectados ao lado do prato, curiosamente, foi maior na faixa entre 30 e 60 anos: 45% dos entrevistados com idade entre 35 e 49 anos (Geração X) afirmaram que suas refeições são acompanhados por algum tipo de aparelho tecnológico, porcentual que chegou a 52% entre aqueles com 50 a 64 anos (Baby Boomers). No caso daqueles entre 15 e 20 anos, o porcentual foi de 38% e, entre os millenials, 40%.

Aqui, vale uma ressalva: na metodologia da pesquisa, também foram incluídos como aparelhos conectados e eletrônicos os televisores, sem distinção sobre o tipo de dispositivo. Mesmo assim, o resultado vai ao encontro de outras pesquisas, que mostram adultos tão ou mais viciados na internet do que os nascidos nas duas últimas décadas.

Estudo da Associação Americana de Psicologia (APA, da sigla em inglês) mostrou que 53% dos americanos adultos checam seus e-mails profissionais durante o fim de semana e 54% fazem isso mesmo quando estão doentes. A mesma pesquisa também relatou que 44% dos entrevistadores reconheceram que acompanham as mensagens profissionais que chegam pela internet durante o período de férias.

Outra pesquisa, conduzida ano passado pela consultoria Workfront com trabalhadores dos Estados Unidos, mostrou que 40% dos entrevistadores disseram ser razoável responder a e-mails da empresa durante refeições com a família.

VICIADOS EM E-MAILS

Obviamente, o perfil de uso da internet e de dispositivos conectados, como mostra as pesquisas, é bastante diferente entre adultos e adolescentes, independente do país. Há quem defenda que esse acompanhamento constante de e-mails e mensagens profissionais é uma necessidade para os adultos, enquanto trocar vídeos e imagens pelo Snapchat e áudios pelo WhatsApp pode ser encarado como mera distração para os mais jovens.

Mais uma vez, há controvérsias em relação a esse argumento. Há dúvidas sobre até que ponto checar os e-mails constantemente é realmente imprescindível em várias profissões e se essa atitude de fato contribui para a rotina da empresa. Alguns pesquisadores, por exemplo, acreditam que adultos que conferem e respondem e-mails o dia inteiro, independente de onde estejam, podem estar buscando uma falsa sensação de produtividade – mesmo que coloquem em risco sua saúde e vida pessoal no processo.