O ESCONDERIJO DE ADÃO

NEIR MOREIRA | “E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3.8).

Se há alguém que a humanidade pode tanto imitar em seus atos quanto culpar pelos seus fracassos esse é Adão. O primeiro homem na face da terra, segundo o relato bíblico, é muito mais do que um explorador de uma terra virgem, ou nomeador oficial de animais. Ele, na verdade, representa toda a raça humana. Traz em seu DNA as marcas potenciais de bilhões de pessoas que o sucederiam.

E, de acordo com o contexto bíblico supracitado, dois comportamentos adâmicos são uma espécie de trailer do filme que a humanidade faria rodar em sua existência. O primeiro é a sua capacidade de ouvir; e o segundo é a possibilidade de esconder. O mesmo Adão que consegue identificar a voz de Deus é o mesmo que intenta se esconder dele. E leva junto a sua companheira.

Adão é o símbolo daquele que não se encontra tão distante de Deus a ponto de não poder ouvi-lo; mas, nem tão próximo o suficiente para ter a oportunidade de esconder-se de Deus (ou pelo menos tentar). Adão é o típico cristão morno e perigosamente frouxo em suas convicções. Sabe exatamente o plano de Deus para sua vida, habita inclusive em seu jardim particular, e tem sido diariamente visitado pela presença divina em seu cotidiano. A despeito disso, ele prefere convencer tanto a si mesmo quanto à sua família (ou quem estiver por perto) que o melhor é evitar qualquer relacionamento duradouro, ou mais sério, com Deus. Com a igreja. Com a família. Com a sociedade.

Esconder é muito mais do que recuar. É muito pior do que se abater. É muito mais sério do que se arrepender. No esconderijo de Adão não é preciso reaver as falhas; não é requerido reconsiderar os maus projetos; não é necessário se arrepender dos pecados. O esconderijo de Adão é a bainha do pecado oculto. É o parque de diversões da liberalidade. É o recreio da licenciosidade.

Vale a pena indagar: eles foram se esconder aonde?

“Entre as árvores do jardim”. Mas, quem passeava no jardim pela viração do dia? “Deus”. Logo, o plano do primeiro jardineiro não resistiu à do seu Criador. Foi justamente no “playground” de Deus que os pombinhos foram brincar de esconde-esconde. Escorregaram literalmente da graça divina e viram seus pés enlamearem-se na poça da vergonha.

Deus, todavia, não brinca! Mesmo quando descansa! A rigor, Ele trabalha até agora (Jo 5.17).

Sua missão hoje é procurar-nos incansavelmente; muito embora Ele conheça muito bem tanto a nós quanto os nossos esconderijos. Ele nos procura não porque nos perdeu, mas porque são poucos os que, depois de ouvi-lo, têm a coragem de se apresentar a Ele, ao invés de se ocultar na multidão, no ativismo, na religiosidade ou por trás da máscara do seu egoísmo.

Ao ouvir a voz de Deus, hoje, vença o medo do encontro e se lance nos braços daquele que o entende e o convida a aprofundar o relacionamento espiritual.

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