O “PERTURBADOR DA RUA XV”

NEIR MOREIRA | A cidade de Curitiba, assim como outras, é conhecida por muitos adjetivos e codinomes. Porém, ela pode ser identificada através dos seus ícones.

Entre os principais pode-se citar o palhaço da Rua XV (comumente chamado de “sombra” em função de sua perseguição aos transeuntes), a mulher da loteria (que apesar de preferir manter-se sentada junto à marquise, consegue com sua potente voz vender os bilhetes de loteria) e o Oil Man (o famoso sujeito que desfila seminu pelas ruas centrais, com sua indefectível sunga vermelha e besuntado literalmente por um óleo sobre sua vasta pele… Impossível não ser notado pelo mais desavisado dos transeuntes, admirado por quem gosta do exótico, e, criticado pelos ortodoxos da vida alheia.

No entanto, há um sujeito que parece ser o campeão quando o assunto é “ódio da vizinhança”.

O irmão Pedro pode ser considerado um evangelista nato com discurso fundamentalista e fincado num contexto majoritariamente de compulsão comercial e desfile misto de autoridades, políticos, modelos e consumidores. Enfim, “todo mundo” passa pela Rua das Flores – nome popularmente conhecido do trecho inicial da Rua XV de Novembro, no centro da capital paranaense, e que foi a primeira grande via pública exclusiva para pedestres, inaugurada no Brasil em 1972.

Numa via caracterizada por edifícios e sobrados centenários, bares turísticos e canteiros de flores em boa parte de sua extensão, destaca-se, entre o burburinho da multidão ávida por consumo, uma voz rouca e insistente de um homem magro com um megafone em sua mão o qual despeja sobre os transeuntes uma mensagem evangelística desafiadora e de conteúdo apocalíptico que beira à ameaça.

O que muitos talvez ignoram é que por trás deste homem destemido e obstinado pela “salvação das almas” há um indivíduo pacato e que, segundo ele mesmo, tentou vender o “ponto”, mas como ninguém quis comprar, então continuou com sua missão de levar o evangelho a todos os admiradores da rua mais famosa de Curitiba.

O “arauto da XV” representa uma parcela da cristandade que não se omite ao chamado evangelístico, e opta por uma modalidade criticada não apenas pelos varejistas da região, mas por muitos cristãos que veem nessa atitude uma motivação exibicionista. A ele se juntam outros “loucos” que fazem dos terminais de ônibus suas igrejas móveis, cujos membros estão em constante deslocamento; não sem antes serem abordados por suas mensagens simples (até mesmo incoerentes do ponto de vista da Gramática e Homilética) mas poderosas e eficazes (sob a perspectiva da espiritualidade e vocação evangelística. Afinal, você pode até tentar ignorar, mas certamente não conseguirá: ou os amará ou os odiará.

Se o rei Acabe chamou o profeta Elias de o “perturbador de Israel” em função deste denunciar a vida de luxúria e pecado daquele (conforme 1Reis 18), não será novidade o irmão Pedro ser taxado de o “perturbador da Rua XV”; mesmo porque com (ou sem) megafone ele tem incomodado a muitos, mas principalmente aqueles que estão à margem do Caminho da Salvação.

Nesse quesito, a função da transmissão do Evangelho cumpre sua missão: ao apelo à salvação só nos resta duas alternativas: aceitar ou rejeitar.

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2 respostas para “O “PERTURBADOR DA RUA XV””

  1. Eu já aceitei. Bem antes de conhecer o “perturbador da Rua XV”.
    Que o Senhor continue abençoando o irmão Pedro, com graça e coragem, para continuar “perturbando” por muitos anos mais!

    1. Amém, irmã Suzy! Oremos para o Senhor levantar outros “Pedros” corajosos para desafiar o sistema atualmente estabelecido. Deus a abençoe.

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