ANSIEDADE: 15 MINUTOS DE ‘SOLIDÃO’ POR DIA AJUDAM A CONTROLÁ-LA

VEJASegundo um novo estudo, um breve período de isolamento pode ajudar a resgatar a calma e a lidar com as emoções negativas

Passar 15 minutos do dia sozinho pode fazer toda a diferença no que diz respeito a reduzir a ansiedade. De acordo com um novo estudo publicado no periódico científico Personality and Social Psychology, o isolamento momentâneo pode deixar as pessoas mais calmas, diminuindo os níveis de stress e ansiedade, seja em contemplação silenciosa ou dedicando-se a leitura de um livro.

CONTROLE DAS EMOÇÕES

Para evitar o sentimento negativo da solidão, principalmente depois dos 15 minutos de isolamento, o ideal é pensar sempre em coisas positivas. Segundo os pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, tomar um tempo para si pode ajudar a lidar com as emoções e, até mesmo, alcançar a tão desejada paz interior.

“As pessoas podem usar a solidão para regular seus estados afetivos, procurando acalmar-se após um período de excitação, de um episódio de raiva ou para ajudar na concentração”, disse Thuy-vy Nguyen, líder da equipe de pesquisa.

A PESQUISA

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores fizeram três experimentos. No primeiro, 114 pessoas tiveram que ficar completamente sozinhas por 15 minutos. Nesse período, as atividades emocionais dos participantes foram bem menores do que comparado a 15 minutos de conversa. Essas pessoas também mostraram menos tendência a emoções negativas, como irritabilidade, angústia e nervosismo.

Em um segundo teste, 108 voluntários ficaram mais calmos e relaxados após passarem 15 minutos imersos nos próprios pensamentos ou em alguma leitura. Por outro lado, depois de 15 minutos nesse estado, a tendência começou a diminuir, deixando as pessoas solitárias – daí a importância dos pensamentos positivos.

No último experimento, os cientistas recrutaram 173 pessoas que passaram 15 minutos sozinhas por dia durante uma semana. Para fins de comparação, na semana anterior eles não passaram o mesmo período de tempo sozinhos (nem mais do que isso). Em ambos os casos, eles registraram em um diário o que fizeram e como se sentiram.

MELHORA DA ANSIEDADE

Dois terços dos participantes escolheram ficar apenas em silêncio, planejando o que fazer no fim de semana, por exemplo. Já um em cada sete decidiram não fazer nada, apenas focar na respiração e nos objetos ao redor. Segundo os pesquisadores, esse tempo sozinho pode reduzir os estados da ansiedade, de euforia ou de preocupação excessiva, assim como pode elevar estados positivos, como o relaxamento.

“Embora alguns normalmente não desejem diminuir um efeito de euforia, há momentos em a excitação excessiva nos sobrecarrega, de modo que a redução dessa sensação pode ser adequada e agradável”, disseram os pesquisadores.

SUICÍDIO: COMO LIDAR COM O DESEJO DE NÃO ESTAR VIVO

ULTIMATO | Desde que o Jogo Baleia Azul e a série Thirteen Reasons Why foram lançados, muitas pessoas estão dialogando sobre um assunto que se tornou tabu nos últimos tempos – a morte. Ainda me lembro da minha infância em que morrer e nascer faziam partem das vivências infantis. Tanto eu como as outras crianças participávamos dos rituais de um velório e, desta forma, a consciência de que a vida do corpo é finita já fazia parte do meu dia a dia. Atualmente, as crianças são poupadas de participarem da tristeza e dos momentos de despedida do corpo, sem vida, de uma pessoa da família. Desta forma, se contribui negativamente para o desenvolvimento de recursos emocionais necessários na vida, para vivenciar o luto diante da morte de alguém próximo.

Se falar da morte do corpo já tem sido algo evitado, muito mais é falar da morte por suicídio, que chega até nós como uma tragédia. Muitos familiares negam por toda a vida o suicídio de um ente querido. A morte intencional atinge todos aqueles que estão próximos da pessoa. Além da dor de perder um ente querido, cada membro da família tem que lidar também com o possível sentimento de culpa que, em geral, recai sobre as pessoas, ficando difícil aceitar que o ato suicida é de responsabilidade apenas daquele que o praticou. Além do mais, no suicídio a vítima e o assassino estão na mesma pessoa. Da mesma forma que se pode sentir compaixão, sente-se também raiva da pessoa que se foi.

Cabe aqui uma reflexão que talvez possa se transformar em atitudes de acolhimento e cuidados que, com certeza, podem preparar melhor o ser humano para os infortúnios de se viver e ainda podem amparar aqueles que, diante de um sofrimento podem responder com o ato suicida.

DEPRESSÃO NÃO É FRESCURA

Só a série em si ou a proposta de um jogo, para que se coloque um fim na vida, não são os únicos motivos que podem levar uma pessoa a dar cabo de si mesma. Eles podem sim, detonar uma alavanca já acionada por outras, que desestimulam o viver.

Há várias causas que podem ser apontadas como desencadeadoras do ato suicida. Uma delas é a depressão que pode se tornar grave e desequilibrar todo o sistema límbico (responsável por controlar as emoções), levando seus portadores a desistirem de viver. Portanto, é importante que pais e responsáveis fiquem atentos às alterações de humor de uma criança ou adolescente para cuidarem dos processos depressivos antes que eles se tornem graves.

Embora a porcentagem de depressivos que se matam seja pequena, é importante lembrar que depressão não é frescura! Por isso o depressivo precisa de um olhar amoroso, seja qual for a causa da sua depressão. Alguma tristeza profunda está alojada na pessoa e o deprimido necessita de um espaço no qual ele possa ver o que o entristece tanto, e encontrar recursos para elaborar e encontrar novas alternativas de vida.

Outra causa de suicídio pode ser a consciência de uma morte eminente. Na Bíblia temos um exemplo assim. Quando Saul se conscientizou que o grupo inimigo se aproximava e ele não teria escapatória, ele mesmo se matou (1 Cr 10.4). Temos também os suicidas religiosos que se matam por alguma causa que consideram nobre ou porque acreditam encontrarem uma vida melhor.

Mas a causa mais comum, ou ainda, a causa que mais dá sustentação para optar pela morte, é uma avaliação inadequada que a pessoa faz de si mesma.

O suicídio é o desenrolar de um processo. O fato de uma pessoa desejar estar morta por que a vida se fez pesada demais, não significa que ela já vai se matar. Mas pode ser o início de um caminho que vai desembocar no suicídio.

DESEJO DE ESTAR MORTO X DESEJO DE SE MATAR

Na Bíblia, no livro de Números, capítulo 11, vemos Moisés sentindo o quanto era pesado lidar com o povo no deserto e pediu a Deus que o matasse. Jó, depois que perdeu todos os filhos e todas suas posses e anda se viu cheio de feridas pelo corpo todo, desejou ter sido um aborto e pediu a Deus que lhe desse a morte (Jó 6.9-11). Elias, depois de grandes feitos, diante de ameaça de morte feita pela rainha, se sentiu inútil e pediu a morte para Deus (I Reis 19.4). Mas nenhum deles deu continuidade, transformando o desejo de estar morto em desejo de se matar.

Por vezes, a vida fica pesada demais, e o desejo de não estar vivo pode acontecer. Mas se já tivermos construído uma consciência adequada da própria importância e do sentido da vida, encontraremos outras respostas à situação de pavor que estamos vivendo, que não seja a morte. No caso desses três personagens bíblicos, foi o sentido resultante da fé no Todo Poderoso que os ajudou a expressar o que sentiam e, de alguma forma, a recuperar a força que precisavam para dar continuidade à vida.

A CONSTRUÇÃO DO VALOR DE UMA PESSOA

A construção de autovalia adequada, como o desenvolver da fé, pode ser recurso apropriado para que uma pessoa encontre alternativas diferentes ao dar cabo à própria vida, ante as situações desesperadoras tão comuns aos seres humanos.

Todo bebê ao nascer precisa ser adotado pelos próprios pais. Se não por estes, necessita ser adotado por pessoas que realmente possam cooperar para que esta criança vá construindo um olhar adequado para o valor intrínseco que cada ser humano tem.

Na adoção do próprio filho ou do filho gerado por outrem são necessárias, no mínimo, três atitudes:

1) Aceitar as características naturais da personalidade herdada e dos dons e habilidades daquela criança. Isto significa ter prazer em aceitar se a criança é quieta ou agitada; se é sociável ou não, enfim aceitar o que é natural e específico dela.

2) Acolher esta criança com amor e afeto. Lembrando que o colo, o tocar seu corpo, sua pele, o abraço e o aconchego vão ajudá-la a construir uma base de segurança nas possíveis desventuras da vida.

3) Aprovar e reconhecer os feitos desta criança, destacando as qualidades que existem através das garatujas, riscos, borrões ou qualquer outro feito, à medida que a criança cresce. Algumas pessoas são exageradamente críticas e condenam todo e qualquer feito da criança, criando nela a crença de que é incapaz, desajeitada e tudo que faz é errado. É preciso aprender a ver o que de bom está por trás da construção de um feito, por mais simples que ele seja. E nem pensar em comparação. Cada um tem seu valor e sua contribuição no mundo. Ninguém vale mais que o outro porque desempenha alguma tarefa com mais facilidade ou com mais perfeição.

Pais e educadores que conseguirem desenvolver em si mesmos estas atitudes muito estarão colaborando para o fortalecimento de uma avaliação adequada da criança para consigo mesma e para com o outro.

Além de ajudarmos uma criança ou adolescente a construir e acreditar no seu valor, podemos também aprender a dar espaço para que eles expressem seus sentimentos, sem condenação. É natural e normal sentir. Sentimos medo, raiva, tristeza, vergonha e culpa. Quando se pode expressar esses sentimentos é possível reagir a eles com comportamentos e atitudes saudáveis. É legitimo uma criança sentir raiva e, quando aceitamos e compreendemos que sua raiva é normal, podemos ajudá-la a elaborar o sentimento e, em geral, escolher um comportamento adequado sem violência. O nocivo é quando pais e educadores tentam proibi-la de sentir ou afirmam que é feio ou ruim sentir.

Há pouco tempo, enquanto eu caminhava pela rua, ouvi uma mãe dizer para uma menina que aparentava oito anos de idade, diante de algo acontecido: “Você está com vergonha? Não precisa sentir vergonha”. O adequado seria: “Do que você ficou com vergonha? É normal ficar envergonhada. Mas tem coisa que precisamos fazer mesmo quando sentimos vergonha. Você pode me contar quando sentir vergonha e eu posso tentar lhe ajudar. Ok?”. Desta forma, transmitimos à criança a segurança de que ela é normal e adequada.

SOMOS IMPORTANTES PARA DEUS

Outra ferramenta que temos é a fé que professamos. Como cristãos, aprendemos o valor e o respeito ao corpo, um espaço sagrado.

Primeiro, porque o corpo foi criado por Deus e ele mesmo considerou-o como obra-prima, conforme o descrito em Gênesis: “…É muito bom”! Homem e mulher inteiros, inclusive com os órgãos genitais. E somos formados por Deus no ventre. O rei Davi tinha esta consciência: “O Senhor me formou no ventre da minha mãe…”! (Sl 139).

Segundo, porque Cristo deixou claro que o Santo Espírito de Deus habita em nós. João, discípulo de Cristo, afirmou que Deus deu-nos poder de nos tornarmos filhos dele (Jo 1.12). Somos morada de Deus.

Terceiro, porque somos importantes para Deus. Ele nos deu talentos antes de nascer. Somos especiais e únicos. Não foram encontrados ainda dois DNAs e nem duas digitais iguais. Além disso, Deus nos capacita com habilidades e dons especiais para servirmos uns aos outros.

Quarto, porque não nascemos por acaso. Somos o resultado de um “sim” de Deus. O Rei Davi sabia disso e afirmou que Deus nos forma no ventre da nossa mãe e está conosco desde que éramos apenas um embrião (Sl 139.15).

Quinto, porque qualquer castigo que uma pessoa possa entender que ela precisa passar por algum erro cometido, Cristo já passou. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Is 53.5)! Em muitos casos, se matar é uma forma de se punir por causa do peso da culpa. Mas em Cristo, não é preciso se punir por nada. Pode-se confessar e reconhecer que errou e a promessa é de que somos mais que perdoados. Muitos suicidas se culpam por algo que entendem que é imperdoável e entram em um processo de autocondenação. Na Bíblia temos o caso de Judas, que quando soube que Cristo estava preso e que fora condenado à morte como um bandido, percebeu que tinha cometido um erro terrível e quis voltar atrás, devolvendo o dinheiro ganho por ter traído Jesus. Seu dinheiro não foi aceito e Judas continuou no processo de se condenar. Em seguida, enforcou-se (Mt 27.5). Ele poderia ter ido até Cristo, mas não foi. Optou por matar-se.

Sexto, porque quando estamos cansados e desanimados, o convite de Cristo é para irmos até ele: “Vinde a mim todos que estão cansados e desanimados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Às vezes, fica difícil viver, ou por causa das injustiças, ou por causa das perdas dolorosas. Mas há um mistério inexplicável disponível para aqueles que praticam a fé cristã. O Cristo que trilhou o caminho da injustiça, da dor, e da humilhação vem caminhar com toda a pessoa que clama.

Então, podemos concluir que a vida vale a pena, mesmo quando passamos pelos vales da sombra da morte!

SUICÍDIOS AUMENTAM 12% NO BRASIL EM 4 ANOS

VEJADe acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 11.000 pessoas tiram a própria vida todos os anos no Brasil

O número de suicídios no Brasil aumentou 12% em quatro anos. De acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde, em 2015, foram 11.736 notificações ante 10.490 registradas em 2011.

Para a diretora do departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Fátima Marinho, esse aumento pode ser explicado, em parte, pela melhora nos registros e crescimento da população. Mas ela também reconhece que o avanço do problema no país é um fato que precisa ser combatido.

“Assumimos na Organização Mundial da Saúde o compromisso de reduzir em 10% o número de casos até 2020. Para alcançar essa meta, precisamos agir de forma rápida e, sobretudo, nas áreas que indicam maior risco”, afirmou Fátima.

Entre as medidas que deverão ser colocadas em prática está o aumento de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em regiões onde os índices de suicídio são considerados mais altos e melhora dos fluxos de serviços de saúde para prevenção do problema.

Além disso, novos estudos deverão ser realizados para identificar as possíveis causas para o aumento de casos em determinadas regiões do país, como no Sul, que registra a maior parte dos casos, e ações específicas para populações indígenas, onde o suicídio também ocorre com maior frequência.

MAIS COMUM EM HOMENS

Segundo dados do levantamento, entre 2011 e 2016, foram registradas 62.804 mortes por suicídio no país, 79% em homens e 21% em mulheres. Nesse período, a taxa de mortalidade por suicídio entre os homens foi quatro vezes maior que a das mulheres.

RELACIONAMENTO É FATOR DE PROTEÇÃO

A proporção de óbitos por suicídio também foi maior entre as pessoas que não têm um relacionamento conjugal, 60,4% são solteiras, viúvas ou divorciadas e 31,5% estão casadas ou em união estável. “Os homens casados se suicidam menos. O casamento é um fator de proteção para os homens e de risco para as mulheres”, disse Fátima, explicando que existe uma associação das tentativas de suicídio das mulheres com a violência intradomiciliar. Ela compara que as mulheres tentam mais e, por outro lado, os homens anunciam menos, mas são os que mais morrem por suicídio.

PROBLEMAS DE ATENDIMENTO

No entanto, entre elas, 31,3% que tiraram a própria vida nesse período já haviam tentado outras vezes. No grupo masculino, o porcentual é menor, mas também expressivo: 26,4%. “Aqui nós percebemos a falha. Não agimos para evitar uma segunda tentativa. Os números reforçam a necessidade de trabalharmos na prevenção contra a violência, uma causa importante para a mortalidade feminina: seja o feminicídio, seja o suicídio.”, disse Fátima.

RISCO ENTRE JOVENS E IDOSOS

Também preocupa o Ministério da Saúde o avanço da suicídio entre jovens. Essa é a quarta causa de morte de brasileiros entre 15 a 29 anos. No mundo, o suicídio é a segunda causa entre essa população. Isso não significa, no entanto, que o Brasil esteja em uma situação melhor. “No país, o jovem morre antes por violência. São dois fatores que acabam concorrendo entre si”, explica Fátima.

Na avaliação da coordenadora, se dados de mortes por outras causas de violência fossem menores, o problema do suicídio entre jovens estaria mais evidente. “Isso mostra a necessidade de termos ações específicas para essa população”.

O boletim indica, por exemplo, um crescimento de mortes por suicídio na faixa entre 10 a 19 anos de 2011 a 2015. Os casos subiram de 782 para 893.

Os idosos, de 70 anos ou mais, são outro grupo de alerta. Nesse período, eles apresentaram as maiores taxas de suicídio entre a população: 8,9 para cada 100.000 habitantes. Mas o ministério ressalta que, em números absolutos, essa população também aumentou e que o índice é alto no mundo todo já que essa população sofre mais com doenças crônicas, depressão e abandono familiar.

POPULAÇÃO INDÍGENA

Entre 2011 e 2015, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil foi maior entre a população indígena, sendo que 44,8% ocorreram na faixa etária de 10 a 19 anos. A cada 100.000 habitantes são registrados 15,2 mortes entre indígenas; 5,9 entre brancos; 4,7 entre negros; e 2,4 morte entre os amarelos.

Segundo Fátima, o alto risco de suicídio entre jovens indígenas compromete o futuro dessas populações, já que elas também há um alto risco de mortalidade infantil.

Segundo a secretaria especial de Saúde Indígena, Lívia Vitenti, existe um número alto de indígenas em sofrimento por uso álcool, disputas territoriais e conflitos com a família e com a população não indígena. Entre os jovens, então, há falta de perspectivas de vida. Entretanto, o problema do suicídio indígenas não está distribuído por todo o território, sendo mais frequente entre os Guarani Kaiowá, Carajás e Ticunas.

REGIÕES

Um dos fatos que mais chamam a atenção dos técnicos do Ministério da Saúde é a concentração de registros de suicídios em algumas áreas do país. A região Sul apresenta 23% dos casos, embora responda por 14% da população brasileira. No Sudeste, região que concentra 42% da população, foram registrados 38% dos suicídios registrados no País.

“Intriga o fato de os casos se registrarem numa área onde há um alto nível de renda, pouca desigualdade”, comenta Fátima.

O Sul é acompanhado pelo Ministério da Saúde há 10 anos. Há fortes indícios de que o problema possa estar relacionado à cultura do fumo e aos agrotóxicos usados nas lavouras.

“Pesticidas manganês aumentam o risco de provocar danos ao sistema nervoso central”, observa Fátima. Para ela, essa relação precisa ser acompanhada de perto. “Além do suicídio, a ação do pesticida está associada a outros agravos, que também precisam ser avaliados, como câncer e más-formações congênitas. Esse assunto precisa estar na agenda”.

Também são consideradas de risco regiões do Piauí e a divisa entre São Paulo e Minas. O Ministério da Saúde prepara-se agora para investigar as causas do maior risco nessas duas áreas. “Atualmente, ainda não estão claras as razões”, diz Fátima.

FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO

Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, como isolamento social; psicológicas, como perdas recentes; e condições incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica e neoplasias malignas. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado de forma individual.

A existência de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no município reduz em 14% o risco de suicídio, segundo o ministério. Entretanto, é preciso uma melhor distribuição desses centros, principalmente nas áreas com mais concentração de suicídios. Existem hoje no Brasil 2.463 Caps em funcionamento.

Segundo Quirino Cordeiro, coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, o Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio deverá focar em dois fatores: nos transtornos metais e nos meios de suicídio. “Muitas vezes quem comete suicídio está passando por problemas graves e acaba fazendo uma tentativa por desespero. Mas se não tem à mão um método, muitas vezes aquele momento passa e a pessoa não efetiva”.

ACORDO COM O CVV

Desde 2015, o Ministério da Saúde tem uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que começou com um projeto-piloto no Rio Grande do Sul. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

O objetivo da parceria é ampliar gradualmente a gratuidade de ligações para o CVV, mesmo que por celular, por meio do número 188. Além do Rio Grande do Sul, a partir de 1º de outubro, pessoas de mais oito estados poderão ligar gratuitamente para o serviço: Acre, Amapá, Mato Grosso do Sul, Piauí, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Até 2020 todo o território nacional poderá contar com o atendimento pelo 188.

No restante dos estados, o CVV ainda atende pelo número 141 ou diretamente no posto regional. Em cidades sem posto de atendimento do CVV, as pessoas podem utilizar o atendimento por chat, skype e e-mail disponíveis na página do CVV.

TRATAMENTO GRATUITO A PESSOAS COM DEPRESSÃO EM CURITIBA

GAZETA DO POVO | O estudo com a Ketamina (escetamina) está sendo realizado em centros de pesquisa ao redor do mundo, além de Curitiba, e tem como objetivo tratar pessoas portadoras de depressão refratária

Pacientes que fazem tratamentos para a depressão e não percebem o alívio completo dos sintomas podem ter chance de melhorar graças a um novo medicamento produzido a partir da Ketamina. Para isso, os interessados devem procurar o Centro de Pesquisas Trial Tech, em Curitiba, que realizará testes com a substância para verificar possíveis impactos e benefícios à população. A participação no estudo é gratuita e o tempo de duração pode variar de acordo com a resposta do paciente. Em média, o tratamento leva um ano.

O estudo com a Ketamina (escetamina) está sendo realizado em centros de pesquisa ao redor do mundo, além de Curitiba, e tem como objetivo tratar pessoas portadoras de depressão refratária. O distúrbio ocorre em 30% dos pacientes que já realizam tratamentos para a depressão.

No mundo todo, mais de 121 milhões de pessoas sofrem com a doença e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2030 a depressão poderá ser a patologia mais comum no planeta.

Bastante utilizado em procedimentos anestésicos, o composto químico Ketamina tem apresentado evidências de boa resposta e segurança no tratamento de quadros depressivos refratários em estudos iniciais. “A Ketamina é bem diferente dos antidepressivos convencionais. Ela melhora a transmissão das redes neuronais de uma das principais substâncias excitatórias do cérebro, o glutamato. É como se ela fosse um dispositivo que tornasse mais estáveis as conexões de uma rede de energia”, explica Luiz Fernando Petry, psiquiatra e um dos especialistas à frente do estudo conduzido pela Trial Tech. Durante o tratamento, o remédio é aplicado via intra-nasal, ou seja, através de spray nas narinas. Desse modo, a substância é melhor absorvida pelo organismo.

A pesquisa foi iniciada em agosto do ano passado e atualmente está na fase 3, em que a medicação já tem eficácia comprovada e passou por um estudo de segurança. Agora, os testes servirão para validar estatisticamente o tratamento com a substância.

De acordo com o especialista, muitos pacientes têm mostrado respostas drasticamente rápidas ao tratamento. “Alguns pacientes deprimidos há anos tiveram uma melhora considerável em poucas semanas”, diz Petry.

Para saber mais sobre a pesquisa e como participar, é necessário entrar em contato com a Trial Tech pelos telefones (41) 3013-1235 e (41) 9206-1583, pela página da empresa no Facebook ou no email contato@trialtech.com.br.

QUANDO DEVO PROCURAR UM PSICÓLOGO? E UM PSIQUIATRA?

GAZETA DO POVO | Cada profissional de saúde age de uma forma e entender os sintomas e a causa do problema ajudam na escolha

Na hora de buscar ajuda para manter a saúde mental, é comum surgir a dúvida: procuro um psicólogo ou um psiquiatra? A escolha, porém, depende muito da situação e dos sintomas que a pessoa apresentar. Para explicar sobre essa diferença, o médico psiquiatra Edvino Krul Junior relatou duas histórias e pediu para que os leitores da Gazeta do Povo, durante o Papo Saúde desta quinta-feira (06), indicassem qual seria o caso de buscar um psicólogo e qual exigiria o atendimento do psiquiatra.

PSIQUIATRA OU PSICÓLOGO?

CASO A – O homem tem um bom emprego, é casado e é feliz no casamento, não tem problemas financeiros e nem de relacionamento. Porém, nos últimos anos, tem se sentido triste – e não sabe apontar qual é a razão desse sentimento negativo.

CASO B- Outro homem que está passando por uma situação de estresse, com brigas no casamento, inclusive levando ao fim do relacionamento. Nada parece dar certo no trabalho e sente-se constantemente irritado.

“O caso A parece que a vida da pessoa está toda organizada e não tem um motivador aparente para ele se sentir triste. Parece ser uma doença, de ser algo químico que está errado no organismo. Neste caso, é importante buscar um psiquiatra“, explica o médico.

“O caso B, por outro lado, tem um motivador. É o estresse no trabalho e em casa. Parece ser uma reação àquela situação vivenciada e poderia ser solucionado pensando nos relacionamentos daquela pessoa. É o caso, portanto, de buscar um psicólogo“, completa Krul Junior.

“Quem procura por um psiquiatra deveria também procurar um psicólogo, porque o resultado do tratamento em junto melhora”, diz o médico Edvino Krul Junior.

Essa é uma dúvida comum quando se fala de estresse e, principalmente, quais os sintomas, sequelas, cuidados e tratamentos do Estresse Crônico. O assunto foi o tema do Papo Saúde desta quinta-feira (06), e reuniu leitores da Gazeta do Povo no Núcleo Estilo de Vida, do espaço A Fábrika para a palestra “O stress crônico e sua relação com os sintomas de urgência e emergência médica”.

Ao lado do médico psiquiatra, o médico e diretor médico da Plus Santé Miguel Mariano Marzinek tratou dos sinais de estresse crônico e alertou: “Muitas pessoas tendem a confundir e a achar que estão enfartando, entrando em convulsão ou mesmo tendo um AVC, quando na verdade são sinais decorrentes de um estresse crônico”.

“Quando a pessoa passa por uma situação de estresse, a pupila dilata, a pele fica mais pálida, a musculatura tensiona, o coração acelera e esses são sinais comuns e até saudáveis, dependendo da situação. O problema está quando esses sintomas se prolongam e predispõem o organismo a outras doenças, como úlceras, gastrites e até mesmo problemas cardíacos”, explica Marzinek.

SEU FILHO É REJEITADO NA ESCOLA? VEJA COMO AJUDÁ-LO

GAZETA DO POVO | Pais de crianças que são isoladas pelos colegas sofrem junto com os filhos. Saiba como lidar com essa situação.

É comum vermos nas escolas aquelas crianças que são isoladas pelos colegas. O isolamento entre crianças normalmente acontece por conta das diferenças. Ou porque o coleguinha está acima do peso, ou usa aparelho nos dentes, porque é muito magro, ou muito calado. “Na infância, as diferenças não são bem vistas. As crianças não têm maturidade para entender e aceitar as diferenças e por isso excluem e rejeitam quem é diferente”, explica a psiquiatra Beatriz Rosa, que atende crianças no hospital Santa Marcelina, em São Paulo.

Tão difícil quanto para a criança é para os pais, que sentem na própria pele a rejeição do filho. A dúvida é como agir em uma situação dessas, quando o filho não é aceito pelos colegas ou sofre ao ser isolado pelo grupo. A dica da psiquiatra é: primeiro entenda o que está acontecendo em uma conversa franca com a criança. Depois, procure a escola.

“Os pais e a escola devem trabalhar juntos. A escola deve ser a intermediadora, por exemplo, de uma conversa entre os pais da criança que sofre e a que faz o bullying”, diz. É comum entre as crianças que sofrem bullying — isolamento coletivo é bullying — e são rejeitadas por serem diferentes, a presença do sentimento de culpa. “Ela vai sentir que o problema é ela, que fez algo de errado e é inadequada. Ela está machucada”, afirma a psiquiatra.

CUIDE DA AUTOESTIMA
Em casos como este, a autoestima da criança precisa ser trabalhada. Em casa, as conversas com os pais devem sempre focar nas características positivas, no que o filho tem de melhor. “Claro que os pais também podem falar sobre pontos que a criança poderia melhorar, por exemplo, mas sempre cultuando os pontos fortes da personalidade dela”, diz Beatriz.

Matricular a criança em um esporte ou outro tipo de atividade extracurricular também pode ajudá-la a desenvolver a socialização, segundo a psiquiatra. Na dúvida se o seu filho está sofrendo algum problema mais sério, procure um especialista. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar.

Sinais que a criança está sofrendo rejeição:
* Mudança de comportamento
* A criança fica mais calada, por exemplo, ou repentinamente agressiva
* Não quer mais ir para escola
* Evita falar sobre os motivos que estão incomodando

“SMARTPHONES SÃO PERFEITOS PARA VICIAR”, DIZ PROFESSOR AMERICANO

GAZETA DO POVO | Quem cria videogames, segundo especialista, não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos

Em um novo livro, “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” (Irresistível: o crescimento da tecnologia que nos vicia e o que é feito para nos manter assim), o psicólogo social Adam Alter adverte que muita gente – jovens, adolescentes, adultos – é viciada em produtos digitais modernos. Não no sentido figurado, mas literal. Alter, de 36 anos, é professor associado da Faculdade de Administração Stern da Universidade de Nova York, e pesquisa psicologia e marketing. Confira a entrevista:

O QUE O FAZ PENSAR QUE AS PESSOAS ESTÃO VICIADAS EM DISPOSITIVOS DIGITAIS E MÍDIAS SOCIAIS?
Antigamente, víamos o vício como algo basicamente relacionado a substâncias químicas: heroína, cocaína, nicotina; hoje, temos o fenômeno do vício comportamental no qual, segundo me disse um líder de indústria de tecnologia, a pessoa passa quase três horas por dia presa ao celular; no qual o adolescente chega a passar semanas sozinho no quarto, jogando videogame; no qual o Snapchat orgulhosamente relata que seus jovens usuários abrem o aplicativo mais de 18 vezes por dia. Os vícios comportamentais estão bem disseminados hoje. Um estudo de 2011 sugeriu que 41% das pessoas têm pelo menos um deles, mas esse número certamente deve ter aumentado com a adoção de novas plataformas de redes sociais mais viciantes, tablets e smartphones.

COMO VOCÊ DEFINE “VÍCIO”?
A definição que adoto é a que o relaciona a algo que você gosta de fazer em curto prazo, mas que prejudica o seu bem-estar em longo prazo – e que você faz compulsivamente mesmo assim. Somos biologicamente propensos ao vício nesse tipo de experiência. Se você colocar alguém na frente de uma máquina caça-níqueis, seu cérebro, de forma qualitativa, irá se parecer com o de quem usou heroína. Se você é alguém que joga videogame compulsivamente – não todo mundo, mas as pessoas que são viciadas em um jogo em particular –, no momento em que ligar seu computador, seu cérebro ficará parecido com o de alguém que usa drogas. Fomos projetados de tal forma que, quando uma experiência estimula os locais certos, nosso cérebro libera dopamina. Você recebe uma enxurrada desse neurotransmissor, que faz com que se sinta maravilhoso em curto prazo, embora em longo prazo você desenvolva um nível de tolerância e acabe querendo mais.

AQUELES QUE DESENVOLVEM AS NOVAS TECNOLOGIAS COMPREENDEM O QUE ESTÃO FAZENDO?
Quem cria videogames não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos. Alguns jogos para smartphones exigem que você pague para jogar, então querem que você continue jogando. Os desenvolvedores de jogos colocam certa quantidade de “recompensa”, assim como acontece com os caça-níqueis, permitindo vitórias ocasionais para manter seu interesse. Não é de surpreender, portanto, que os desenvolvedores muitas vezes testam diferentes versões de um lançamento para ver qual delas é mais irresistível, qual irá manter sua atenção por mais tempo. Funciona. Para o livro, falei com um jovem que estava sentado na frente do computador jogando videogame por 45 dias consecutivos! O jogo compulsivo destruiu outros aspectos da sua vida. E acabou em uma clínica de reabilitação no estado de Washington, a reSTART, especializada no tratamento de jovens com vício em jogo.

PRECISAMOS DE UMA LEGISLAÇÃO QUE NOS PROTEJA?
Essa não é uma má ideia a se considerar, pelo menos para os jogos on-line. Na Coreia do Sul e na China, há propostas de algo que chamam de Leis da Cinderela. A ideia é evitar que as crianças acessem certos jogos depois da meia-noite. O vício em jogos e na internet é um problema sério em toda a Ásia Oriental. Na China, há milhões de jovens com esse problema. Tiveram que criar locais onde os pais internam seus filhos durante meses para serem tratados com terapia, fazendo um regime de desintoxicação.

POR QUE VOCÊ AFIRMA QUE MUITOS DOS NOVOS APETRECHOS ELETRÔNICOS PROMOVEM VÍCIOS COMPORTAMENTAIS?
Bom, é só ver o que as pessoas estão fazendo. Em uma pesquisa, 60% dos adultos disseram que dormem com o celular ao lado da cama. Em outra pesquisa, metade dos entrevistados afirmou verificar seus e-mails no meio da noite. Além disso, esses novos aparelhos se tornaram o meio perfeito para a mídia viciante. Se os jogos e mídias sociais antes eram limitados ao computador doméstico, hoje os dispositivos portáteis permitem que você os acesse em qualquer lugar. Agora verificamos as redes sociais constantemente, o que interrompe o trabalho e a vida cotidiana. Estamos obcecados com o número de “curtidas” que nossas fotos recebem no Instagram, em vez de prestar atenção no caminhar que percorremos ou na pessoa com quem falamos.

QUE MAL HÁ NISSO?
Se você passa três horas por dia com o celular, não está passando esse tempo em interações cara a cara com as pessoas. Os smartphones têm tudo o que você precisa para desfrutar o momento, mas não exigem muita iniciativa. Você não precisa se lembrar de nada porque tudo está bem na sua frente. Não é preciso desenvolver a capacidade de memorizar ou de ter ideias novas. Acho interessante que Steve Jobs tenha dito em uma entrevista de 2012 que seus filhos não usavam iPads. Na verdade, há um número surpreendente de titãs do Vale do Silício que se recusam a deixar seus filhos perto de certos dispositivos. Há uma escola particular em San Francisco que não permite o uso de tecnologia, ou seja, nada de iPhones ou iPads. O fato mais interessante desse colégio é que 75% dos pais são executivos de tecnologia. Resolvi escrever “Irresistible” quando fiquei sabendo dele. O que há nesses produtos que os tornam, aos olhos dos especialistas, tão perigosos?

VOCÊ TEM UM FILHO DE 11 MESES DE IDADE. COMO VOCÊ INTERAGE COM SUAS TECNOLOGIAS QUANDO ESTÁ COM ELE?
Tento não usar o celular perto dele. Na verdade é uma das melhores atitudes para me forçar a não usá-lo tanto.

VOCÊ É VICIADO NISSO?
Acho que sim. De vez em quando me vicio em vários jogos. Como muitas pessoas da pesquisa que mencionei anteriormente, sou viciado em e-mail. Não consigo parar de checar. Não consigo dormir se não limpo minha caixa de entrada. Deixo meu celular ao lado da cama, mesmo tentando evitar fazer isso. A tecnologia foi projetada para nos pegar desse jeito. O e-mail não acaba nunca; as redes sociais são infinitas. Twitter? O feed nunca termina. Você poderia passar 24 horas por dia lá e nunca chegaria ao fim. Por isso, você volta querendo mais.

SE VOCÊ ESTIVESSE ACONSELHANDO UM AMIGO A LARGAR UM VÍCIO COMPORTAMENTAL, O QUE SUGERIRIA?
Pediria que pensasse em como está permitindo que a tecnologia invada sua vida. Depois, diria para isolá-la. Eu gosto da ideia de, por exemplo, não responder e-mails depois das seis da tarde. Em geral, aconselharia a encontrar mais tempo para estar em ambientes naturais, para se sentar frente a frente com alguém em uma longa conversa sem qualquer tecnologia na sala. Deveria haver momentos do dia parecidos com os da década de 1950, nos quais você se senta em algum lugar e não consegue dizer em que época está. Não deveríamos olhar tanto para telas.

PARA OS EVANGÉLICOS, TRUMP TRAZ UMA NOVA ESPERANÇA

GAZETA DO POVO | Donald Trump, o empresário que já passou por três divórcios, foi mais votado pelos evangélicos dos EUA do que o beato George W. Bush anos atrás

Depois de oito anos se sentindo “excluído” como cristão, David Cox anda bem mais leve ao longo das últimas semanas. Após uma eleição na qual Donald Trump, o empresário que já passou por três divórcios, foi mais votado pelos evangélicos dos EUA do que o beato George W. Bush anos atrás, Cox testemunhou uma mudança imensa na mentalidade dos seus colegas evangélicos – saindo da trepidação e até mesmo medo, para a esperança. É um sentimento, diz ele, de “ser aceito outra vez”.

De um lado, Trump é uma bela de uma colherada de óleo de rícino, difícil de engolir, diz ele. Mas a careta, para Cox, vale a pena, porque ele acredita que um governo Trump ajudaria a religar o país com seus valores judaico-cristãos, assim como a sua própria igreja metodista de 187 anos, que utilizou suas vigas de madeira originais, da época anterior à Guerra Civil dos EUA, na base da construção de um novo santuário em Henry County, no estado da Geórgia.

“Os cristãos tiveram uma chance de verdade de ver o que aconteceria com o país sob Obama, e sabíamos que precisávamos de uma mudança”, diz Cox, que é aposentado e dono de um pequeno negócio, um dos 81% dos evangélicos que votaram em Trump. “Agora são os liberais que vão ver que, se você tentar ir longe demais, as coisas podem se voltar contra você – e com tudo”.

De muitas maneiras, essa é a questão que está agora diante de evangélicos como Cox: o quanto voltar. Será que eles deveriam tentar anular leis que acreditam serem opostas aos valores cristãos – dos direitos LGBT até o aborto – ou devem se concentrar em defender seu direito constitucional de liberdade religiosa, que sentem que estão sendo violados? São poderosas as forças capazes de virar o jogo contra aqueles que, como acreditam muitos evangélicos, visaram destruir um estilo de vida essencialmente cristão. Mas há evidências também de que alguns desejam utilizar esse momento para alterar o diálogo e garantir que as preocupações cristãs sejam ouvidas e respeitadas.

“Sim, há uma sensação de alívio [entre evangélicos]”, diz Michael Griffin, pastor veterano da Liberty Baptist Church, em Hartwell, na Geórgia. “A percepção do governo Obama permitiu que o ativismo LGBT fosse longe demais, e esse ímpeto não está mais lá. Mas eu acredito, apesar outros evangélicos discordarem, que hoje já temos o casamento do mesmo sexo – isso, da parte deles, eles conseguiram. Mas parece que os liberais estão tentando partir da acomodação para a aprovação, e eu acho que na América você tem o direito de discordar”.

PERSEGUIÇÃO DE OBAMA

Para muitos evangélicos, houve uma sensação de perseguição no fato de a administração Obama ter promovido os direitos dos transgêneros na questão do uso de banheiros, bem como no número crescente de processos contra donos religiosos de empresas.

Cerca de 32% dos líderes evangélicos dos EUA afirmam que, no momento, sentem sofrer perseguição religiosa, enquanto 76% acreditam que sofrerão perseguição no futuro, na forma de pressão social, financeira e política, segundo uma pesquisa de outubro feita pela National Association of Evangelicals.

Esse sentimento pesou forte para a vitória de Trump: 26% do eleitorado, no mês passado, era composto de evangélicos brancos – um recorde, segundo as pesquisas de boca de urna. Desse grupo de eleitores, Clinton recebeu apenas 16% dos votos.

Agora os republicanos estão reunindo forças para expandir a capacidade de invocar valores religiosos em público. Líderes congressionais, incluindo os senadores republicanos Ted Cruz, do Texas, e Mike Lee, de Utah, afirmaram esta semana que irão reintroduzir o Ato de Defesa da Primeira Emenda (FADA, na sigla em inglês).

Esse projeto de lei proibiria o governo federal de punir por atitudes discriminatórias as pessoas que agirem de acordo com alguma crença religiosa ou convicção moral de que o casamento deva ser reconhecido como a união entre um homem e uma mulher, ou de que as relações sexuais devam ser reservadas adequadamente apenas para uma tal relação.

LEGISLADORES ENCORAJADOS

De forma semelhante, legisladores estaduais se sentiram encorajados pela vitória de Trump.

Logo após a eleição, os legisladores de Ohio foram rápidos em aprovar uma lei que proibia o aborto após ser detectado batimento cardíaco – um padrão que, com efeito, torna ilegal o aborto após seis semanas. Uma legisladora considerou esse acontecimento uma “vitória”, que não teria sido prevista não fosse pela eleição de Trump.

A essa altura ainda, tais manobras têm desafios significativos diante de si. Muitos republicanos pró-empresariado veem com desconfiança leis que atacam abertamente a comunidade LGBT, dados os boicotes que já resultaram disso. E tais leis também são vistas como tendo pouca base jurídica na qual se sustentarem. O republicano John Kasich, governador de Ohio, vetou a lei do batimento cardíaco, sugerindo que ela deveria ser considerada inconstitucional.

Mas as promessas de Trump de instalar juízes conservadores na Suprema Corte podem aumentar ainda mais a autoconfiança desses políticos. É certo que alguns principais grupos conservadores se sentem fortalecidos.

Tony Perkins, presidente do Family Research Council, disse no mês passado que os EUA estão agora “à beira de uma geração conservadora”.

CONSERVADORES RELIGIOSOS X COMUNIDADE LGBT

O sentimento de alívio de “perseguição” de um lado, porém, arrisca passá-la de volta para o outro, conforme aponta a comunidade LGBT, em particular, que há séculos se sente perseguida. Esse embate dificulta muito para se encontrar uma base em comum para legislar, segundo especialistas em direito constitucional.

“O debate está [agora] sob controle de extremistas dos dois lados: o FADA vai muito, muito além de pequenos negócios e da indústria dos casamentos, e os movimentos dos direitos gays cada vez mais querem o fim de isenções religiosas de todos os tipos – até mesmo para organizações religiosas com fins não lucrativos”, diz Douglas Laycock, professor de direito da University of Virginia.

A população se divide sobre em que medida a Constituição protege os cristãos e aderentes de outras religiões que se dizem compelidos por suas crenças a fazer alguma forma de pressão política. O Pew Research Center descobriu, no último outono, que 48% da população dos EUA acredita que donos de negócios ligados a casamento deveriam ter poder de recusar seus serviços para casais do mesmo sexo, se tiverem objeções religiosas a isso, enquanto 49% acredita que eles deveriam ser obrigados por lei a servir casais do mesmo sexo.

Mas as batalhas entre os conservadores religiosos e a comunidade LGBT demonstram a velocidade com a qual os termos do embate mudaram. O governador republicano da Carolina do Norte, Pat McCrory, perdeu a reeleição este ano em parte por ter apoiado uma lei que anulava proteções significativas para a comunidade LGBT.

“Dez anos atrás, quem imaginaria que um político teria problemas por assumir essa posição do governador McCrory? E esse é um fato significativo: É uma indicação do quanto a linha de batalha avançou para dentro do território dos conservadores religiosos”, diz o professor de direito Mark Tushnet, da Harvard University, autor do livro “Why the Constitution Matters”.

SUPREMA CORTE NO CENTRO DO DEBATE

De muitas formas, o modo como essa batalha irá se desdobrar dependerá em grande parte de evangélicos como Cox. De um lado, ele diz que gostaria de ver uma Suprema Corte mais conservadora. Mas, visto que perdoar e enxergar todos os seres humanos como prova da grandiosidade de Deus são alguns dos princípios cristãos mais cruciais, ele pensa no assunto nos termos da aliança com a qual ele entrou, junto com sua esposa, através do casamento: “Eu posso ter razão, mas isso não significa que ela esteja errada”.

Nesse sentido, o grupo evangélico Council for Christian Colleges and Universities (CCCU) está fazendo pressão pela aprovação de uma lei nacional de “Justiça para Todos”, refletindo um compromisso já forjado no estado conservador de Utah, que garantiu direitos LGBT ao mesmo tempo em que acordava isenções sólidas para os religiosos.

“Os direitos não precisam ser sempre assegurados por um grupo às custas de outro”, disse Shapri LoMaglio, vice-presidente de relações externas e governamentais do CCCU, ao Christianity Today.

E há já outros sinais de que um acordo possa vir a ser firmado. Na última quarta-feira, os oficiais de Massachusetts concordaram em revisar a política de identidade de gênero (Gender Identity Guidance) do estado após quatro igrejas entrarem com um processo. Como parte do acordo, o estado admitiu que a Primeira Emenda permite, de fato, a expressão religiosa em atividades como refeições comunitárias.

No fim, Cox argumenta que os norte-americanos, incluindo os conservadores, precisam parar de se ofender tanto com as crenças uns dos outros.

“Não é possível impedir as pessoas de se ofenderem, porque, quando você tira aquilo que é ofensivo para você, esse gesto se torna ofensivo para mim”, diz Cox. “Parece que esquecemos que somos uma cultura mista, na qual precisamos todos aprender a conviver juntos. Tenho esperança de que é possível fazermos melhor e no fim amarmos uns aos outros como criaturas de Deus”.

A BÍBLIA CHEGOU AO BRASIL 40 ANOS ANTES DOS MISSIONÁRIOS PROTESTANTES

ULTIMATO | A introdução das Sagradas Escrituras no Brasil começou discretamente em 1814. Naqueles primórdios, exemplares de Novos Testamentos e Bíblias completas eram distribuídos a bordo de navios que deixavam Lisboa e portos ingleses com destino ao Brasil. Era um trabalho muito inteligente e de bons resultados. Dependia da boa vontade e do espírito missionário de capitães de navio, comerciantes e pessoal diplomático e militar que viajassem para o Brasil. Os capelães britânicos radicados nos mais importantes postos brasileiros também participavam deste ministério.

A partir de 1818, a distribuição de Bíblias na América Latina passou a ser feita por meio de agentes das duas sociedades bíblicas existentes, a Britânica e a Americana. O primeiro deles foi o pastor batista escocês James Thomson (1781-1854). Foi ele quem introduziu a Palavra de Deus na Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Porto Rico, Haiti, Cuba, México e várias ilhas das Antilhas. Não se sabe se ele esteve no Brasil.

O pastor metodista americano Daniel Parish Kidder (1815-1891) foi o primeiro correspondente da Sociedade Bíblica Americana a se fixar no Brasil. Com a idade de 22 anos, já casado, ele percorreu o país de norte a sul. Kidder era destemido e criativo. Em uma de suas viagens a São Paulo, propôs à Assembléia Legislativa da Imperial Província de São Paulo o uso da Bíblia nas escolas primárias de toda a província e se comprometeu a doar doze exemplares para cada escola, caso a proposta fosse aprovada.

Entre a chegada dos primeiros exemplares da Bíblia (1814) e a chegada do primeiro missionário protestante permanente (1855), há um espaço de 41 anos. Isso significa que as Escrituras Sagradas precederam a implantação das primeiras igrejas evangélicas brasileiras.

Naquele tempo, a Igreja Romana não via com bons olhos o trabalho das sociedades bíblicas e de seus colportores (pessoas que se ocupavam da circulação da Bíblia por motivação missionária). Os protestantes pensavam e agiam de maneira diferente. Cada fiel deveria possuir seu próprio exemplar da Bíblia e conhecer o seu conteúdo, na certeza de que ela é “a única regra de fé e prática”.

Retirado e adaptado de História da Evangelização do Brasil, 192 p., Editora Ultimato

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O Dia da Bíblia – Celebrado no segundo domingo de dezembro e criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, o Dia da Bíblia começou a ser celebrado no Brasil em 1850, quando chegaram da Europa e Estados Unidos os primeiros missionários cristãos evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), em 1948. Graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela SBB, as comemorações se intensificaram e diversificaram, passando a incluir a realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e ampla distribuição de Escrituras.

COM TABLETS E CELULARES, CRIANÇAS PASSAM POR EPIDEMIA DE TRANSTORNOS DO SONO

GAZETA DO POVO | Conclusão se dá a partir da análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças norte-americanas

Se você não prestou atenção nas últimas orientações sobre o uso de eletrônicos publicadas pela Academia Americana de Pediatria, talvez queira tirar por um momento o tablet da mão do seu filho e rever a sua posição.

Uma análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças, publicada na segunda-feira, dia 31, no periódico JAMA Pediatrics, fornece as evidências mais fortes até o momento de uma relação entre o uso de aparelhos eletrônicos na hora de dormir e problemas de sono, falta de sono e sonolência excessiva durante o dia. Apesar de haver um pouco de exagero na caracterização popular das crianças andando sonolentas por aí como pequenos zumbis, o problema é sério.

Os pesquisadores dizem que as crianças norte-americanas, sobretudo os adolescentes, em meio à sua sobrecarga de tarefas e vício em mídias, estão passando por uma epidemia de transtornos do sono, o que vem contribuindo para todos os tipos de problemas de saúde, incluindo obesidade, depressão, ansiedade, hiperatividade, aumento de apetite, transtornos de humor, perda de reflexos e perda de memória.

Nos anos recentes, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) vêm fazendo pressão para que sejam adiados os horários de aula no final do ensino fundamental e ao longo do ensino médio, como uma forma de aumentar as possibilidades de que os adolescentes tenham pelo menos oito horas de sono por noite. A ideia tem o apoio da ciência, mas é polêmica por conta de todo tipo de motivos financeiros, logísticos e políticos.

O novo estudo da JAMA Pediatrics, liderado pelo pesquisador Ben Carter, do King’s College London, envolve a análise de estudos anteriores com crianças em idade escolar, entre 6 e 19 anos, na América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. Carter e seus colegas descobriram que as crianças que utilizam aparelhos eletrônicos na hora de dormir têm o dobro de chances de dormirem menos de nove horas de sono por noite. As que ficam com telefones e outros gadgets no quarto têm 50% mais chance de sofrerem com uma noite mal dormida e 200% mais chance de excesso de sonolência durante o dia.

Num comentário que acompanha o estudo, Charles A. Czeisler, da divisão de Medicina do Sono da Harvard Medical School, e Theresa L. Shanahan, pediatra de Harvard, explicaram que “o uso de aparelhos de mídia móvel na hora de dormir fornece um material social e fisiologicamente estimulante num momento em que a transição para o sono exige que o cérebro comece a relaxar. (…) É difícil resistir a conteúdos interessantes, e as crianças com frequência têm medo de perderem acontecimentos importantes caso se desconectem”.

O problema não se resolve apenas indo dormir na hora certa. Há também um componente físico na exposição às telinhas. Czeisler e Shanahan descrevem a luz azul emitida pelas telas, bem como também por lâmpadas de LED, como “biologicamente potentes”, e dizem que ela suprime o hormônio melatonina, que manda o cérebro ir dormir. E é bom não esquecer também das notificações de mensagens de texto, que fazem acordar.

Czeisler e Shanahan notam que o estudo demonstra que a mera presença de um aparelho eletrônico no quarto na hora de dormir pode causar perturbações de sono e sugerem que mais pesquisas serão necessárias para se compreender o que isso faz às mentes e aos corpos das crianças. “Essas descobertas deixam claro que o rápido desenvolvimento do uso de tecnologia e mídia ultrapassou a capacidade dos pesquisadores da área médica de avaliar os efeitos positivos e negativos da exposição constante à mídia durante os anos críticos de desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes”, afirmaram.