TRATAMENTO GRATUITO A PESSOAS COM DEPRESSÃO EM CURITIBA

GAZETA DO POVO | O estudo com a Ketamina (escetamina) está sendo realizado em centros de pesquisa ao redor do mundo, além de Curitiba, e tem como objetivo tratar pessoas portadoras de depressão refratária

Pacientes que fazem tratamentos para a depressão e não percebem o alívio completo dos sintomas podem ter chance de melhorar graças a um novo medicamento produzido a partir da Ketamina. Para isso, os interessados devem procurar o Centro de Pesquisas Trial Tech, em Curitiba, que realizará testes com a substância para verificar possíveis impactos e benefícios à população. A participação no estudo é gratuita e o tempo de duração pode variar de acordo com a resposta do paciente. Em média, o tratamento leva um ano.

O estudo com a Ketamina (escetamina) está sendo realizado em centros de pesquisa ao redor do mundo, além de Curitiba, e tem como objetivo tratar pessoas portadoras de depressão refratária. O distúrbio ocorre em 30% dos pacientes que já realizam tratamentos para a depressão.

No mundo todo, mais de 121 milhões de pessoas sofrem com a doença e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2030 a depressão poderá ser a patologia mais comum no planeta.

Bastante utilizado em procedimentos anestésicos, o composto químico Ketamina tem apresentado evidências de boa resposta e segurança no tratamento de quadros depressivos refratários em estudos iniciais. “A Ketamina é bem diferente dos antidepressivos convencionais. Ela melhora a transmissão das redes neuronais de uma das principais substâncias excitatórias do cérebro, o glutamato. É como se ela fosse um dispositivo que tornasse mais estáveis as conexões de uma rede de energia”, explica Luiz Fernando Petry, psiquiatra e um dos especialistas à frente do estudo conduzido pela Trial Tech. Durante o tratamento, o remédio é aplicado via intra-nasal, ou seja, através de spray nas narinas. Desse modo, a substância é melhor absorvida pelo organismo.

A pesquisa foi iniciada em agosto do ano passado e atualmente está na fase 3, em que a medicação já tem eficácia comprovada e passou por um estudo de segurança. Agora, os testes servirão para validar estatisticamente o tratamento com a substância.

De acordo com o especialista, muitos pacientes têm mostrado respostas drasticamente rápidas ao tratamento. “Alguns pacientes deprimidos há anos tiveram uma melhora considerável em poucas semanas”, diz Petry.

Para saber mais sobre a pesquisa e como participar, é necessário entrar em contato com a Trial Tech pelos telefones (41) 3013-1235 e (41) 9206-1583, pela página da empresa no Facebook ou no email contato@trialtech.com.br.

QUANDO DEVO PROCURAR UM PSICÓLOGO? E UM PSIQUIATRA?

GAZETA DO POVO | Cada profissional de saúde age de uma forma e entender os sintomas e a causa do problema ajudam na escolha

Na hora de buscar ajuda para manter a saúde mental, é comum surgir a dúvida: procuro um psicólogo ou um psiquiatra? A escolha, porém, depende muito da situação e dos sintomas que a pessoa apresentar. Para explicar sobre essa diferença, o médico psiquiatra Edvino Krul Junior relatou duas histórias e pediu para que os leitores da Gazeta do Povo, durante o Papo Saúde desta quinta-feira (06), indicassem qual seria o caso de buscar um psicólogo e qual exigiria o atendimento do psiquiatra.

PSIQUIATRA OU PSICÓLOGO?

CASO A – O homem tem um bom emprego, é casado e é feliz no casamento, não tem problemas financeiros e nem de relacionamento. Porém, nos últimos anos, tem se sentido triste – e não sabe apontar qual é a razão desse sentimento negativo.

CASO B- Outro homem que está passando por uma situação de estresse, com brigas no casamento, inclusive levando ao fim do relacionamento. Nada parece dar certo no trabalho e sente-se constantemente irritado.

“O caso A parece que a vida da pessoa está toda organizada e não tem um motivador aparente para ele se sentir triste. Parece ser uma doença, de ser algo químico que está errado no organismo. Neste caso, é importante buscar um psiquiatra“, explica o médico.

“O caso B, por outro lado, tem um motivador. É o estresse no trabalho e em casa. Parece ser uma reação àquela situação vivenciada e poderia ser solucionado pensando nos relacionamentos daquela pessoa. É o caso, portanto, de buscar um psicólogo“, completa Krul Junior.

“Quem procura por um psiquiatra deveria também procurar um psicólogo, porque o resultado do tratamento em junto melhora”, diz o médico Edvino Krul Junior.

Essa é uma dúvida comum quando se fala de estresse e, principalmente, quais os sintomas, sequelas, cuidados e tratamentos do Estresse Crônico. O assunto foi o tema do Papo Saúde desta quinta-feira (06), e reuniu leitores da Gazeta do Povo no Núcleo Estilo de Vida, do espaço A Fábrika para a palestra “O stress crônico e sua relação com os sintomas de urgência e emergência médica”.

Ao lado do médico psiquiatra, o médico e diretor médico da Plus Santé Miguel Mariano Marzinek tratou dos sinais de estresse crônico e alertou: “Muitas pessoas tendem a confundir e a achar que estão enfartando, entrando em convulsão ou mesmo tendo um AVC, quando na verdade são sinais decorrentes de um estresse crônico”.

“Quando a pessoa passa por uma situação de estresse, a pupila dilata, a pele fica mais pálida, a musculatura tensiona, o coração acelera e esses são sinais comuns e até saudáveis, dependendo da situação. O problema está quando esses sintomas se prolongam e predispõem o organismo a outras doenças, como úlceras, gastrites e até mesmo problemas cardíacos”, explica Marzinek.

SEU FILHO É REJEITADO NA ESCOLA? VEJA COMO AJUDÁ-LO

GAZETA DO POVO | Pais de crianças que são isoladas pelos colegas sofrem junto com os filhos. Saiba como lidar com essa situação.

É comum vermos nas escolas aquelas crianças que são isoladas pelos colegas. O isolamento entre crianças normalmente acontece por conta das diferenças. Ou porque o coleguinha está acima do peso, ou usa aparelho nos dentes, porque é muito magro, ou muito calado. “Na infância, as diferenças não são bem vistas. As crianças não têm maturidade para entender e aceitar as diferenças e por isso excluem e rejeitam quem é diferente”, explica a psiquiatra Beatriz Rosa, que atende crianças no hospital Santa Marcelina, em São Paulo.

Tão difícil quanto para a criança é para os pais, que sentem na própria pele a rejeição do filho. A dúvida é como agir em uma situação dessas, quando o filho não é aceito pelos colegas ou sofre ao ser isolado pelo grupo. A dica da psiquiatra é: primeiro entenda o que está acontecendo em uma conversa franca com a criança. Depois, procure a escola.

“Os pais e a escola devem trabalhar juntos. A escola deve ser a intermediadora, por exemplo, de uma conversa entre os pais da criança que sofre e a que faz o bullying”, diz. É comum entre as crianças que sofrem bullying — isolamento coletivo é bullying — e são rejeitadas por serem diferentes, a presença do sentimento de culpa. “Ela vai sentir que o problema é ela, que fez algo de errado e é inadequada. Ela está machucada”, afirma a psiquiatra.

CUIDE DA AUTOESTIMA
Em casos como este, a autoestima da criança precisa ser trabalhada. Em casa, as conversas com os pais devem sempre focar nas características positivas, no que o filho tem de melhor. “Claro que os pais também podem falar sobre pontos que a criança poderia melhorar, por exemplo, mas sempre cultuando os pontos fortes da personalidade dela”, diz Beatriz.

Matricular a criança em um esporte ou outro tipo de atividade extracurricular também pode ajudá-la a desenvolver a socialização, segundo a psiquiatra. Na dúvida se o seu filho está sofrendo algum problema mais sério, procure um especialista. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar.

Sinais que a criança está sofrendo rejeição:
* Mudança de comportamento
* A criança fica mais calada, por exemplo, ou repentinamente agressiva
* Não quer mais ir para escola
* Evita falar sobre os motivos que estão incomodando

“SMARTPHONES SÃO PERFEITOS PARA VICIAR”, DIZ PROFESSOR AMERICANO

GAZETA DO POVO | Quem cria videogames, segundo especialista, não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos

Em um novo livro, “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” (Irresistível: o crescimento da tecnologia que nos vicia e o que é feito para nos manter assim), o psicólogo social Adam Alter adverte que muita gente – jovens, adolescentes, adultos – é viciada em produtos digitais modernos. Não no sentido figurado, mas literal. Alter, de 36 anos, é professor associado da Faculdade de Administração Stern da Universidade de Nova York, e pesquisa psicologia e marketing. Confira a entrevista:

O QUE O FAZ PENSAR QUE AS PESSOAS ESTÃO VICIADAS EM DISPOSITIVOS DIGITAIS E MÍDIAS SOCIAIS?
Antigamente, víamos o vício como algo basicamente relacionado a substâncias químicas: heroína, cocaína, nicotina; hoje, temos o fenômeno do vício comportamental no qual, segundo me disse um líder de indústria de tecnologia, a pessoa passa quase três horas por dia presa ao celular; no qual o adolescente chega a passar semanas sozinho no quarto, jogando videogame; no qual o Snapchat orgulhosamente relata que seus jovens usuários abrem o aplicativo mais de 18 vezes por dia. Os vícios comportamentais estão bem disseminados hoje. Um estudo de 2011 sugeriu que 41% das pessoas têm pelo menos um deles, mas esse número certamente deve ter aumentado com a adoção de novas plataformas de redes sociais mais viciantes, tablets e smartphones.

COMO VOCÊ DEFINE “VÍCIO”?
A definição que adoto é a que o relaciona a algo que você gosta de fazer em curto prazo, mas que prejudica o seu bem-estar em longo prazo – e que você faz compulsivamente mesmo assim. Somos biologicamente propensos ao vício nesse tipo de experiência. Se você colocar alguém na frente de uma máquina caça-níqueis, seu cérebro, de forma qualitativa, irá se parecer com o de quem usou heroína. Se você é alguém que joga videogame compulsivamente – não todo mundo, mas as pessoas que são viciadas em um jogo em particular –, no momento em que ligar seu computador, seu cérebro ficará parecido com o de alguém que usa drogas. Fomos projetados de tal forma que, quando uma experiência estimula os locais certos, nosso cérebro libera dopamina. Você recebe uma enxurrada desse neurotransmissor, que faz com que se sinta maravilhoso em curto prazo, embora em longo prazo você desenvolva um nível de tolerância e acabe querendo mais.

AQUELES QUE DESENVOLVEM AS NOVAS TECNOLOGIAS COMPREENDEM O QUE ESTÃO FAZENDO?
Quem cria videogames não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos. Alguns jogos para smartphones exigem que você pague para jogar, então querem que você continue jogando. Os desenvolvedores de jogos colocam certa quantidade de “recompensa”, assim como acontece com os caça-níqueis, permitindo vitórias ocasionais para manter seu interesse. Não é de surpreender, portanto, que os desenvolvedores muitas vezes testam diferentes versões de um lançamento para ver qual delas é mais irresistível, qual irá manter sua atenção por mais tempo. Funciona. Para o livro, falei com um jovem que estava sentado na frente do computador jogando videogame por 45 dias consecutivos! O jogo compulsivo destruiu outros aspectos da sua vida. E acabou em uma clínica de reabilitação no estado de Washington, a reSTART, especializada no tratamento de jovens com vício em jogo.

PRECISAMOS DE UMA LEGISLAÇÃO QUE NOS PROTEJA?
Essa não é uma má ideia a se considerar, pelo menos para os jogos on-line. Na Coreia do Sul e na China, há propostas de algo que chamam de Leis da Cinderela. A ideia é evitar que as crianças acessem certos jogos depois da meia-noite. O vício em jogos e na internet é um problema sério em toda a Ásia Oriental. Na China, há milhões de jovens com esse problema. Tiveram que criar locais onde os pais internam seus filhos durante meses para serem tratados com terapia, fazendo um regime de desintoxicação.

POR QUE VOCÊ AFIRMA QUE MUITOS DOS NOVOS APETRECHOS ELETRÔNICOS PROMOVEM VÍCIOS COMPORTAMENTAIS?
Bom, é só ver o que as pessoas estão fazendo. Em uma pesquisa, 60% dos adultos disseram que dormem com o celular ao lado da cama. Em outra pesquisa, metade dos entrevistados afirmou verificar seus e-mails no meio da noite. Além disso, esses novos aparelhos se tornaram o meio perfeito para a mídia viciante. Se os jogos e mídias sociais antes eram limitados ao computador doméstico, hoje os dispositivos portáteis permitem que você os acesse em qualquer lugar. Agora verificamos as redes sociais constantemente, o que interrompe o trabalho e a vida cotidiana. Estamos obcecados com o número de “curtidas” que nossas fotos recebem no Instagram, em vez de prestar atenção no caminhar que percorremos ou na pessoa com quem falamos.

QUE MAL HÁ NISSO?
Se você passa três horas por dia com o celular, não está passando esse tempo em interações cara a cara com as pessoas. Os smartphones têm tudo o que você precisa para desfrutar o momento, mas não exigem muita iniciativa. Você não precisa se lembrar de nada porque tudo está bem na sua frente. Não é preciso desenvolver a capacidade de memorizar ou de ter ideias novas. Acho interessante que Steve Jobs tenha dito em uma entrevista de 2012 que seus filhos não usavam iPads. Na verdade, há um número surpreendente de titãs do Vale do Silício que se recusam a deixar seus filhos perto de certos dispositivos. Há uma escola particular em San Francisco que não permite o uso de tecnologia, ou seja, nada de iPhones ou iPads. O fato mais interessante desse colégio é que 75% dos pais são executivos de tecnologia. Resolvi escrever “Irresistible” quando fiquei sabendo dele. O que há nesses produtos que os tornam, aos olhos dos especialistas, tão perigosos?

VOCÊ TEM UM FILHO DE 11 MESES DE IDADE. COMO VOCÊ INTERAGE COM SUAS TECNOLOGIAS QUANDO ESTÁ COM ELE?
Tento não usar o celular perto dele. Na verdade é uma das melhores atitudes para me forçar a não usá-lo tanto.

VOCÊ É VICIADO NISSO?
Acho que sim. De vez em quando me vicio em vários jogos. Como muitas pessoas da pesquisa que mencionei anteriormente, sou viciado em e-mail. Não consigo parar de checar. Não consigo dormir se não limpo minha caixa de entrada. Deixo meu celular ao lado da cama, mesmo tentando evitar fazer isso. A tecnologia foi projetada para nos pegar desse jeito. O e-mail não acaba nunca; as redes sociais são infinitas. Twitter? O feed nunca termina. Você poderia passar 24 horas por dia lá e nunca chegaria ao fim. Por isso, você volta querendo mais.

SE VOCÊ ESTIVESSE ACONSELHANDO UM AMIGO A LARGAR UM VÍCIO COMPORTAMENTAL, O QUE SUGERIRIA?
Pediria que pensasse em como está permitindo que a tecnologia invada sua vida. Depois, diria para isolá-la. Eu gosto da ideia de, por exemplo, não responder e-mails depois das seis da tarde. Em geral, aconselharia a encontrar mais tempo para estar em ambientes naturais, para se sentar frente a frente com alguém em uma longa conversa sem qualquer tecnologia na sala. Deveria haver momentos do dia parecidos com os da década de 1950, nos quais você se senta em algum lugar e não consegue dizer em que época está. Não deveríamos olhar tanto para telas.

PARA OS EVANGÉLICOS, TRUMP TRAZ UMA NOVA ESPERANÇA

GAZETA DO POVO | Donald Trump, o empresário que já passou por três divórcios, foi mais votado pelos evangélicos dos EUA do que o beato George W. Bush anos atrás

Depois de oito anos se sentindo “excluído” como cristão, David Cox anda bem mais leve ao longo das últimas semanas. Após uma eleição na qual Donald Trump, o empresário que já passou por três divórcios, foi mais votado pelos evangélicos dos EUA do que o beato George W. Bush anos atrás, Cox testemunhou uma mudança imensa na mentalidade dos seus colegas evangélicos – saindo da trepidação e até mesmo medo, para a esperança. É um sentimento, diz ele, de “ser aceito outra vez”.

De um lado, Trump é uma bela de uma colherada de óleo de rícino, difícil de engolir, diz ele. Mas a careta, para Cox, vale a pena, porque ele acredita que um governo Trump ajudaria a religar o país com seus valores judaico-cristãos, assim como a sua própria igreja metodista de 187 anos, que utilizou suas vigas de madeira originais, da época anterior à Guerra Civil dos EUA, na base da construção de um novo santuário em Henry County, no estado da Geórgia.

“Os cristãos tiveram uma chance de verdade de ver o que aconteceria com o país sob Obama, e sabíamos que precisávamos de uma mudança”, diz Cox, que é aposentado e dono de um pequeno negócio, um dos 81% dos evangélicos que votaram em Trump. “Agora são os liberais que vão ver que, se você tentar ir longe demais, as coisas podem se voltar contra você – e com tudo”.

De muitas maneiras, essa é a questão que está agora diante de evangélicos como Cox: o quanto voltar. Será que eles deveriam tentar anular leis que acreditam serem opostas aos valores cristãos – dos direitos LGBT até o aborto – ou devem se concentrar em defender seu direito constitucional de liberdade religiosa, que sentem que estão sendo violados? São poderosas as forças capazes de virar o jogo contra aqueles que, como acreditam muitos evangélicos, visaram destruir um estilo de vida essencialmente cristão. Mas há evidências também de que alguns desejam utilizar esse momento para alterar o diálogo e garantir que as preocupações cristãs sejam ouvidas e respeitadas.

“Sim, há uma sensação de alívio [entre evangélicos]”, diz Michael Griffin, pastor veterano da Liberty Baptist Church, em Hartwell, na Geórgia. “A percepção do governo Obama permitiu que o ativismo LGBT fosse longe demais, e esse ímpeto não está mais lá. Mas eu acredito, apesar outros evangélicos discordarem, que hoje já temos o casamento do mesmo sexo – isso, da parte deles, eles conseguiram. Mas parece que os liberais estão tentando partir da acomodação para a aprovação, e eu acho que na América você tem o direito de discordar”.

PERSEGUIÇÃO DE OBAMA

Para muitos evangélicos, houve uma sensação de perseguição no fato de a administração Obama ter promovido os direitos dos transgêneros na questão do uso de banheiros, bem como no número crescente de processos contra donos religiosos de empresas.

Cerca de 32% dos líderes evangélicos dos EUA afirmam que, no momento, sentem sofrer perseguição religiosa, enquanto 76% acreditam que sofrerão perseguição no futuro, na forma de pressão social, financeira e política, segundo uma pesquisa de outubro feita pela National Association of Evangelicals.

Esse sentimento pesou forte para a vitória de Trump: 26% do eleitorado, no mês passado, era composto de evangélicos brancos – um recorde, segundo as pesquisas de boca de urna. Desse grupo de eleitores, Clinton recebeu apenas 16% dos votos.

Agora os republicanos estão reunindo forças para expandir a capacidade de invocar valores religiosos em público. Líderes congressionais, incluindo os senadores republicanos Ted Cruz, do Texas, e Mike Lee, de Utah, afirmaram esta semana que irão reintroduzir o Ato de Defesa da Primeira Emenda (FADA, na sigla em inglês).

Esse projeto de lei proibiria o governo federal de punir por atitudes discriminatórias as pessoas que agirem de acordo com alguma crença religiosa ou convicção moral de que o casamento deva ser reconhecido como a união entre um homem e uma mulher, ou de que as relações sexuais devam ser reservadas adequadamente apenas para uma tal relação.

LEGISLADORES ENCORAJADOS

De forma semelhante, legisladores estaduais se sentiram encorajados pela vitória de Trump.

Logo após a eleição, os legisladores de Ohio foram rápidos em aprovar uma lei que proibia o aborto após ser detectado batimento cardíaco – um padrão que, com efeito, torna ilegal o aborto após seis semanas. Uma legisladora considerou esse acontecimento uma “vitória”, que não teria sido prevista não fosse pela eleição de Trump.

A essa altura ainda, tais manobras têm desafios significativos diante de si. Muitos republicanos pró-empresariado veem com desconfiança leis que atacam abertamente a comunidade LGBT, dados os boicotes que já resultaram disso. E tais leis também são vistas como tendo pouca base jurídica na qual se sustentarem. O republicano John Kasich, governador de Ohio, vetou a lei do batimento cardíaco, sugerindo que ela deveria ser considerada inconstitucional.

Mas as promessas de Trump de instalar juízes conservadores na Suprema Corte podem aumentar ainda mais a autoconfiança desses políticos. É certo que alguns principais grupos conservadores se sentem fortalecidos.

Tony Perkins, presidente do Family Research Council, disse no mês passado que os EUA estão agora “à beira de uma geração conservadora”.

CONSERVADORES RELIGIOSOS X COMUNIDADE LGBT

O sentimento de alívio de “perseguição” de um lado, porém, arrisca passá-la de volta para o outro, conforme aponta a comunidade LGBT, em particular, que há séculos se sente perseguida. Esse embate dificulta muito para se encontrar uma base em comum para legislar, segundo especialistas em direito constitucional.

“O debate está [agora] sob controle de extremistas dos dois lados: o FADA vai muito, muito além de pequenos negócios e da indústria dos casamentos, e os movimentos dos direitos gays cada vez mais querem o fim de isenções religiosas de todos os tipos – até mesmo para organizações religiosas com fins não lucrativos”, diz Douglas Laycock, professor de direito da University of Virginia.

A população se divide sobre em que medida a Constituição protege os cristãos e aderentes de outras religiões que se dizem compelidos por suas crenças a fazer alguma forma de pressão política. O Pew Research Center descobriu, no último outono, que 48% da população dos EUA acredita que donos de negócios ligados a casamento deveriam ter poder de recusar seus serviços para casais do mesmo sexo, se tiverem objeções religiosas a isso, enquanto 49% acredita que eles deveriam ser obrigados por lei a servir casais do mesmo sexo.

Mas as batalhas entre os conservadores religiosos e a comunidade LGBT demonstram a velocidade com a qual os termos do embate mudaram. O governador republicano da Carolina do Norte, Pat McCrory, perdeu a reeleição este ano em parte por ter apoiado uma lei que anulava proteções significativas para a comunidade LGBT.

“Dez anos atrás, quem imaginaria que um político teria problemas por assumir essa posição do governador McCrory? E esse é um fato significativo: É uma indicação do quanto a linha de batalha avançou para dentro do território dos conservadores religiosos”, diz o professor de direito Mark Tushnet, da Harvard University, autor do livro “Why the Constitution Matters”.

SUPREMA CORTE NO CENTRO DO DEBATE

De muitas formas, o modo como essa batalha irá se desdobrar dependerá em grande parte de evangélicos como Cox. De um lado, ele diz que gostaria de ver uma Suprema Corte mais conservadora. Mas, visto que perdoar e enxergar todos os seres humanos como prova da grandiosidade de Deus são alguns dos princípios cristãos mais cruciais, ele pensa no assunto nos termos da aliança com a qual ele entrou, junto com sua esposa, através do casamento: “Eu posso ter razão, mas isso não significa que ela esteja errada”.

Nesse sentido, o grupo evangélico Council for Christian Colleges and Universities (CCCU) está fazendo pressão pela aprovação de uma lei nacional de “Justiça para Todos”, refletindo um compromisso já forjado no estado conservador de Utah, que garantiu direitos LGBT ao mesmo tempo em que acordava isenções sólidas para os religiosos.

“Os direitos não precisam ser sempre assegurados por um grupo às custas de outro”, disse Shapri LoMaglio, vice-presidente de relações externas e governamentais do CCCU, ao Christianity Today.

E há já outros sinais de que um acordo possa vir a ser firmado. Na última quarta-feira, os oficiais de Massachusetts concordaram em revisar a política de identidade de gênero (Gender Identity Guidance) do estado após quatro igrejas entrarem com um processo. Como parte do acordo, o estado admitiu que a Primeira Emenda permite, de fato, a expressão religiosa em atividades como refeições comunitárias.

No fim, Cox argumenta que os norte-americanos, incluindo os conservadores, precisam parar de se ofender tanto com as crenças uns dos outros.

“Não é possível impedir as pessoas de se ofenderem, porque, quando você tira aquilo que é ofensivo para você, esse gesto se torna ofensivo para mim”, diz Cox. “Parece que esquecemos que somos uma cultura mista, na qual precisamos todos aprender a conviver juntos. Tenho esperança de que é possível fazermos melhor e no fim amarmos uns aos outros como criaturas de Deus”.

A BÍBLIA CHEGOU AO BRASIL 40 ANOS ANTES DOS MISSIONÁRIOS PROTESTANTES

ULTIMATO | A introdução das Sagradas Escrituras no Brasil começou discretamente em 1814. Naqueles primórdios, exemplares de Novos Testamentos e Bíblias completas eram distribuídos a bordo de navios que deixavam Lisboa e portos ingleses com destino ao Brasil. Era um trabalho muito inteligente e de bons resultados. Dependia da boa vontade e do espírito missionário de capitães de navio, comerciantes e pessoal diplomático e militar que viajassem para o Brasil. Os capelães britânicos radicados nos mais importantes postos brasileiros também participavam deste ministério.

A partir de 1818, a distribuição de Bíblias na América Latina passou a ser feita por meio de agentes das duas sociedades bíblicas existentes, a Britânica e a Americana. O primeiro deles foi o pastor batista escocês James Thomson (1781-1854). Foi ele quem introduziu a Palavra de Deus na Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Porto Rico, Haiti, Cuba, México e várias ilhas das Antilhas. Não se sabe se ele esteve no Brasil.

O pastor metodista americano Daniel Parish Kidder (1815-1891) foi o primeiro correspondente da Sociedade Bíblica Americana a se fixar no Brasil. Com a idade de 22 anos, já casado, ele percorreu o país de norte a sul. Kidder era destemido e criativo. Em uma de suas viagens a São Paulo, propôs à Assembléia Legislativa da Imperial Província de São Paulo o uso da Bíblia nas escolas primárias de toda a província e se comprometeu a doar doze exemplares para cada escola, caso a proposta fosse aprovada.

Entre a chegada dos primeiros exemplares da Bíblia (1814) e a chegada do primeiro missionário protestante permanente (1855), há um espaço de 41 anos. Isso significa que as Escrituras Sagradas precederam a implantação das primeiras igrejas evangélicas brasileiras.

Naquele tempo, a Igreja Romana não via com bons olhos o trabalho das sociedades bíblicas e de seus colportores (pessoas que se ocupavam da circulação da Bíblia por motivação missionária). Os protestantes pensavam e agiam de maneira diferente. Cada fiel deveria possuir seu próprio exemplar da Bíblia e conhecer o seu conteúdo, na certeza de que ela é “a única regra de fé e prática”.

Retirado e adaptado de História da Evangelização do Brasil, 192 p., Editora Ultimato

—————-

O Dia da Bíblia – Celebrado no segundo domingo de dezembro e criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, o Dia da Bíblia começou a ser celebrado no Brasil em 1850, quando chegaram da Europa e Estados Unidos os primeiros missionários cristãos evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), em 1948. Graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela SBB, as comemorações se intensificaram e diversificaram, passando a incluir a realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e ampla distribuição de Escrituras.

COM TABLETS E CELULARES, CRIANÇAS PASSAM POR EPIDEMIA DE TRANSTORNOS DO SONO

GAZETA DO POVO | Conclusão se dá a partir da análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças norte-americanas

Se você não prestou atenção nas últimas orientações sobre o uso de eletrônicos publicadas pela Academia Americana de Pediatria, talvez queira tirar por um momento o tablet da mão do seu filho e rever a sua posição.

Uma análise de dados coletados a partir de 26 mil crianças, publicada na segunda-feira, dia 31, no periódico JAMA Pediatrics, fornece as evidências mais fortes até o momento de uma relação entre o uso de aparelhos eletrônicos na hora de dormir e problemas de sono, falta de sono e sonolência excessiva durante o dia. Apesar de haver um pouco de exagero na caracterização popular das crianças andando sonolentas por aí como pequenos zumbis, o problema é sério.

Os pesquisadores dizem que as crianças norte-americanas, sobretudo os adolescentes, em meio à sua sobrecarga de tarefas e vício em mídias, estão passando por uma epidemia de transtornos do sono, o que vem contribuindo para todos os tipos de problemas de saúde, incluindo obesidade, depressão, ansiedade, hiperatividade, aumento de apetite, transtornos de humor, perda de reflexos e perda de memória.

Nos anos recentes, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) vêm fazendo pressão para que sejam adiados os horários de aula no final do ensino fundamental e ao longo do ensino médio, como uma forma de aumentar as possibilidades de que os adolescentes tenham pelo menos oito horas de sono por noite. A ideia tem o apoio da ciência, mas é polêmica por conta de todo tipo de motivos financeiros, logísticos e políticos.

O novo estudo da JAMA Pediatrics, liderado pelo pesquisador Ben Carter, do King’s College London, envolve a análise de estudos anteriores com crianças em idade escolar, entre 6 e 19 anos, na América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. Carter e seus colegas descobriram que as crianças que utilizam aparelhos eletrônicos na hora de dormir têm o dobro de chances de dormirem menos de nove horas de sono por noite. As que ficam com telefones e outros gadgets no quarto têm 50% mais chance de sofrerem com uma noite mal dormida e 200% mais chance de excesso de sonolência durante o dia.

Num comentário que acompanha o estudo, Charles A. Czeisler, da divisão de Medicina do Sono da Harvard Medical School, e Theresa L. Shanahan, pediatra de Harvard, explicaram que “o uso de aparelhos de mídia móvel na hora de dormir fornece um material social e fisiologicamente estimulante num momento em que a transição para o sono exige que o cérebro comece a relaxar. (…) É difícil resistir a conteúdos interessantes, e as crianças com frequência têm medo de perderem acontecimentos importantes caso se desconectem”.

O problema não se resolve apenas indo dormir na hora certa. Há também um componente físico na exposição às telinhas. Czeisler e Shanahan descrevem a luz azul emitida pelas telas, bem como também por lâmpadas de LED, como “biologicamente potentes”, e dizem que ela suprime o hormônio melatonina, que manda o cérebro ir dormir. E é bom não esquecer também das notificações de mensagens de texto, que fazem acordar.

Czeisler e Shanahan notam que o estudo demonstra que a mera presença de um aparelho eletrônico no quarto na hora de dormir pode causar perturbações de sono e sugerem que mais pesquisas serão necessárias para se compreender o que isso faz às mentes e aos corpos das crianças. “Essas descobertas deixam claro que o rápido desenvolvimento do uso de tecnologia e mídia ultrapassou a capacidade dos pesquisadores da área médica de avaliar os efeitos positivos e negativos da exposição constante à mídia durante os anos críticos de desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes”, afirmaram.

CENSO MOSTRA REDUÇÃO DE MATRÍCULAS NO ENSINO SUPERIOR

VEJA | A taxa de ingressantes nas universidades particulares caiu 7% e isso é preocupante para o Brasil

A expansão das matrículas nas universidades particulares foi interrompida depois de seis anos de crescimento contínuo. Segundo o novo Censo da Educação Superior, a queda foi de 7% entre 2014 e 2015. A retração tem a ver com dois fatores: a crise econômica e a redução da oferta do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. As novas regras para obter o financiamento do governo federal e o corte de quase 500 000 contratos com estudantes, de 2014, foram determinantes para a revoada das salas de aula. Em números absolutos, deixaram de entrar 176 445 estudantes em universidades particulares.

Esse cenário é grave para o Brasil. Com os ventos da demografia até agora soprando a favor – o país ainda tem um bom contingente de jovens –, é imprescindível que uma grande parcela deles chegue à universidade. A janela favorável, conhecida como bônus demográfico (quando o número de pessoas produtivas supera o de crianças e aposentados em uma sociedade), irá se fechar nos próximos anos. Até lá, é crucial que esta turma em idade universitária seja bem formada, de modo a se tornar mão-de-obra produtiva e capaz de inovar.

No Brasil, menos de 20% chegam ao ensino superior. Em países desenvolvidos, o percentual supera os 80%. Do ponto de vista individual, o diploma faz uma enorme diferença aqui. Um brasileiro com curso superior ganha duas vezes e meia a mais do que o colega na mesma função que encerrou os estudos no ensino básico. A conclusão do curso universitário, portanto, é uma mola para a mobilidade social.

Não só as instituições particulares, mas também as públicas registraram encolhimento nas matrículas, segundo o Censo. Ela foi de 2,6%. Segundo Carlos Monteiro, especialista em ensino superior, a crise financeira atingiu em cheio a classe C, que está postergando a entrada na universidade à espera de dias melhores. “Na crise, em vez de estudar, o jovem tenta um lugar no mercado de trabalho”, diz Monteiro.

ANTES DA DIETA E DA ACADEMIA, PROCURE O PSICÓLOGO

GAZETA DO POVO | Comer é um ato mais emocional do que se imagina e o psicólogo tem um papel importante, ao lado do nutricionista, na vida saudável do paciente

Entender os motivos pelos quais você não consegue dizer ‘não‘ ao brigadeiro e foge da academia sempre que pode é tão importante quanto se inscrever no exercício do verão ou começar uma dieta detox que seca a barriga. Para fazer essa análise do seu comportamento, existe uma linha dentro da psicologia conhecida por nutrição comportamental, que faz uso de técnicas motivacionais e de adesão para que o paciente consiga manter a tão sonhada vida saudável.

“Por que é tão difícil aceitar a privação de alguns alimentos? Por que não conseguimos manter uma rotina? O trabalho do psicólogo é fundamental no início, logo que a pessoa decide mudar os hábitos, para motivar e educar as pessoas sobre essas mudanças na vida. Depois de um tempo, o trabalho muda para dar o suporte que a pessoa precisar e ajudá-la a manter os resultados obtidos”, explica Carolina Halperin, psicóloga cognitivo comportamental da clínica Wainer Psicologia Cognitiva, em Porto Alegre (RS).

O primeiro encontro com o psicólogo, que pode acontecer antes de qualquer tomada de decisão ou mesmo depois de o paciente começar a fazer exercícios e se alimentar melhor, é estruturada e focada no futuro. “Terapeuta e paciente estabelecem, juntos, quais serão as metas, o que o paciente deseja alcançar e trabalham com uma série de técnicas de motivação, de engajamento que ajudam a manter a dieta ou a rotina na academia”, afirma a psicóloga.

Dessas técnicas, Carolina cita a da balança, uma das mais comuns para ajudar na motivação do paciente. “Fazemos junto com o paciente uma balança de vantagens e desvantagens de fazer uma dieta, de começar um exercício físico. E as pessoas colocam no papel mesmo, no modo antigo. Ao ver a lista, conversar sobre aquilo, a pessoa passa a entender o que está por trás dessas escolhas”, explica.

FIM DE SEMANA COM TRÊS DIAS?

GAZETA DO POVO | Entenda por que empresas e pesquisadores estão levando essa ideia a sério. Experiências mostram que semana laboral mais curta pode aumentar a produtividade e ajudar o meio ambiente

Atire a primeira pedra quem nunca sonhou ter um fim de semana com um dia a mais. Pois este não é um ideal tão inatingível como se pensa. Para muitos pesquisadores, a ideia é até boa e pode reduzir desde emissões de carbono na atmosfera até custos com horas extras nas empresas.

Há também quem defenda que uma folga esticada é capaz de aumentar a produtividade e o bem-estar dos funcionários ou ainda prevenir o desemprego e outros problemas sociais frente ao avanço da tecnologia no mercado de trabalho. Experiências interessantes não faltam para fundamentar estas teses.

O governo de Utah, nos Estados Unidos , por exemplo, suprimiu a sexta-feira da semana laboral de seus funcionários, em 2007. O resultado foi a economia de US$ 1,8 milhão em energia em apenas 10 meses.

Além disso, como os trabalhadores precisavam se deslocar menos de casa para o serviço, houve uma diminuição de mais de 12 mil toneladas na emissão de CO2 por ano. A medida sobreviveu só até 2011. Mas o tempo foi o suficiente para mostrar que a ideia poderia, sim, ser viável.

O FATOR SAÚDE

Para os adeptos da proposta não é apenas o planeta que ganha com a mudança. A saúde das pessoas também é impactada. Segundo o médico e professor britânico John Ashton, acrescentar um dia ao fim de semana pode reduzir os níveis de estresse dos trabalhadores e prevenir problemas de pressão arterial, além de tornar os funcionários mais felizes.

Um estudo publicado pela revista “The Lancet” também se ateve aos lucros da redução da carga horária para a saúde. A pesquisa revelou que os colaboradores submetidos a jornadas de 55 horas correm 33% mais risco de desenvolver um acidente vascular cerebral do que pessoas com carga de até 40 horas. Além disso, quem trabalha menos dorme melhor e possui 13% menos chance de desenvolver doenças coronárias.

No Reino Unido, a adesão à proposta é alta. Um levantamento da empresa de pesquisa YouGov mostrou que 57% dos trabalhadores por lá apoiam a medida e que, para 71% deles, o país poderia ser um lugar mais feliz para viver caso houvesse esta mudança.

GESTÃO DE PESSOAS

A redução da semana laboral pode servir também como uma boa política de retenção de talentos e ainda aumentar a produtividade de uma companhia. É o que mostra o exemplo da Treehouse, startup de ensino de webdesign online, que aderiu à ideia para oferecer um diferencial aos seus funcionários. Por não estar entre as poderosas do Vale do Silício, a empresa se utilizou da alternativa como um atrativo na disputa por profissionais de destaque.

O bom desempenho dos colaboradores foi outro ganho que chegou com a implantação do projeto, conforme revelou o diretor-executivo, Ryan Carson, à revista “Inc”. Na visão dele, seu pessoal chega para trabalhar muito mais descansado e bem disposto e isso aumenta o rendimento das equipes.

TRABALHO DO FUTURO

Na concepção de muitos especialistas, o emprego do futuro passa por uma reconfiguração da carga horária dos trabalhadores. Para Alex Williams, professor da Universidade de Londres, e coautor do livro “Inventar o futuro: pós-capitalismo e um mundo sem trabalho”, a mecanização de grande parte das atividades vai revolucionar o mercado e demandar novos formatos de gerir o tempo das pessoas, com um uso menor de energia e menos força de trabalho humana.

A alternativa do especialista para aproveitar o que o avanço tecnológico tem a oferecer e ao mesmo tempo prevenir prejuízos sociais é encurtar a semana laboral e, entre outras ações, instituir uma renda básica universal.

Também de olho no mercado do futuro, a especialista do Instituto New Economics Anna Coote vai ainda mais longe e aposta na semana de três dias, com 21 horas. Ela defende que a iniciativa pode reduzir a carga de trabalho, as emissões de carbono, as desigualdades sociais, além de colaborar para uma vida melhor e mais sustentável.

O professor Ryan Carson partilha desta perspectiva e consegue enxergar limitações da distribuição das horas laborais ainda hoje. Para ele, o tempo trabalhado é mal distribuído e esse problema acarreta, inclusive, no aumento do desemprego. “Um grande número de pessoas trabalha loucamente enquanto uma parcela significativa dela população não consegue emprego”, disse o especialista em entrevista ao jornal “The Guardian”.