QUANDO DEVO PROCURAR UM PSICÓLOGO? E UM PSIQUIATRA?

GAZETA DO POVO | Cada profissional de saúde age de uma forma e entender os sintomas e a causa do problema ajudam na escolha

Na hora de buscar ajuda para manter a saúde mental, é comum surgir a dúvida: procuro um psicólogo ou um psiquiatra? A escolha, porém, depende muito da situação e dos sintomas que a pessoa apresentar. Para explicar sobre essa diferença, o médico psiquiatra Edvino Krul Junior relatou duas histórias e pediu para que os leitores da Gazeta do Povo, durante o Papo Saúde desta quinta-feira (06), indicassem qual seria o caso de buscar um psicólogo e qual exigiria o atendimento do psiquiatra.

PSIQUIATRA OU PSICÓLOGO?

CASO A – O homem tem um bom emprego, é casado e é feliz no casamento, não tem problemas financeiros e nem de relacionamento. Porém, nos últimos anos, tem se sentido triste – e não sabe apontar qual é a razão desse sentimento negativo.

CASO B- Outro homem que está passando por uma situação de estresse, com brigas no casamento, inclusive levando ao fim do relacionamento. Nada parece dar certo no trabalho e sente-se constantemente irritado.

“O caso A parece que a vida da pessoa está toda organizada e não tem um motivador aparente para ele se sentir triste. Parece ser uma doença, de ser algo químico que está errado no organismo. Neste caso, é importante buscar um psiquiatra“, explica o médico.

“O caso B, por outro lado, tem um motivador. É o estresse no trabalho e em casa. Parece ser uma reação àquela situação vivenciada e poderia ser solucionado pensando nos relacionamentos daquela pessoa. É o caso, portanto, de buscar um psicólogo“, completa Krul Junior.

“Quem procura por um psiquiatra deveria também procurar um psicólogo, porque o resultado do tratamento em junto melhora”, diz o médico Edvino Krul Junior.

Essa é uma dúvida comum quando se fala de estresse e, principalmente, quais os sintomas, sequelas, cuidados e tratamentos do Estresse Crônico. O assunto foi o tema do Papo Saúde desta quinta-feira (06), e reuniu leitores da Gazeta do Povo no Núcleo Estilo de Vida, do espaço A Fábrika para a palestra “O stress crônico e sua relação com os sintomas de urgência e emergência médica”.

Ao lado do médico psiquiatra, o médico e diretor médico da Plus Santé Miguel Mariano Marzinek tratou dos sinais de estresse crônico e alertou: “Muitas pessoas tendem a confundir e a achar que estão enfartando, entrando em convulsão ou mesmo tendo um AVC, quando na verdade são sinais decorrentes de um estresse crônico”.

“Quando a pessoa passa por uma situação de estresse, a pupila dilata, a pele fica mais pálida, a musculatura tensiona, o coração acelera e esses são sinais comuns e até saudáveis, dependendo da situação. O problema está quando esses sintomas se prolongam e predispõem o organismo a outras doenças, como úlceras, gastrites e até mesmo problemas cardíacos”, explica Marzinek.

CONCILIAÇÃO E CUIDADO ESPIRITUAL

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SEU FILHO É REJEITADO NA ESCOLA? VEJA COMO AJUDÁ-LO

GAZETA DO POVO | Pais de crianças que são isoladas pelos colegas sofrem junto com os filhos. Saiba como lidar com essa situação.

É comum vermos nas escolas aquelas crianças que são isoladas pelos colegas. O isolamento entre crianças normalmente acontece por conta das diferenças. Ou porque o coleguinha está acima do peso, ou usa aparelho nos dentes, porque é muito magro, ou muito calado. “Na infância, as diferenças não são bem vistas. As crianças não têm maturidade para entender e aceitar as diferenças e por isso excluem e rejeitam quem é diferente”, explica a psiquiatra Beatriz Rosa, que atende crianças no hospital Santa Marcelina, em São Paulo.

Tão difícil quanto para a criança é para os pais, que sentem na própria pele a rejeição do filho. A dúvida é como agir em uma situação dessas, quando o filho não é aceito pelos colegas ou sofre ao ser isolado pelo grupo. A dica da psiquiatra é: primeiro entenda o que está acontecendo em uma conversa franca com a criança. Depois, procure a escola.

“Os pais e a escola devem trabalhar juntos. A escola deve ser a intermediadora, por exemplo, de uma conversa entre os pais da criança que sofre e a que faz o bullying”, diz. É comum entre as crianças que sofrem bullying — isolamento coletivo é bullying — e são rejeitadas por serem diferentes, a presença do sentimento de culpa. “Ela vai sentir que o problema é ela, que fez algo de errado e é inadequada. Ela está machucada”, afirma a psiquiatra.

CUIDE DA AUTOESTIMA
Em casos como este, a autoestima da criança precisa ser trabalhada. Em casa, as conversas com os pais devem sempre focar nas características positivas, no que o filho tem de melhor. “Claro que os pais também podem falar sobre pontos que a criança poderia melhorar, por exemplo, mas sempre cultuando os pontos fortes da personalidade dela”, diz Beatriz.

Matricular a criança em um esporte ou outro tipo de atividade extracurricular também pode ajudá-la a desenvolver a socialização, segundo a psiquiatra. Na dúvida se o seu filho está sofrendo algum problema mais sério, procure um especialista. Um psicólogo ou psiquiatra pode ajudar.

Sinais que a criança está sofrendo rejeição:
* Mudança de comportamento
* A criança fica mais calada, por exemplo, ou repentinamente agressiva
* Não quer mais ir para escola
* Evita falar sobre os motivos que estão incomodando

PSIC. NEIR MOREIRA

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SILÊNCIO: UM FILME DE MARTIN SCORCESE

ULTIMATO | O DESCONCERTANTE SILÊNCIO DE DEUS

Em 2011 estava lendo o suplemento literário do jornal O Estado de S. Paulo quando me deparei com um título que chamou minha atenção: O desconcertante silêncio de Deus. A matéria em questão era sobre o lançamento no Brasil de O silêncio, do romancista japonês Shuzako Endo (1923-1996). A resenha chamou tanto minha atenção que corri para comprar o livro. Não demorou para que eu o devorasse . O livro de Endo é um dos mais poderosos e perturbadores que já li. Shuzako Endo era um narrador extremamente habilidoso. E sua biografia o capacitou para escrever um livro tão intenso: tendo sido batizado em uma igreja cristã – católica – na infância, sofreu preconceito e perseguição de seus patrícios por ter abraçado a fé cristã. Alguns anos depois viaja para o Ocidente, para a França, para ser mais preciso, para estudar. Mas mais uma vez sofre preconceito, desta feita, étnico, por não ser branco. Estas experiências o levam a questionar a fé que abraçou. Endo depois viajou para a Palestina e o que não muitos anos depois viria a ser o atual Estado de Israel, com objetivo de estudar in loco sobre a vida terrena de Jesus. Nesta viagem teve percepção clara de como Jesus também sofreu preconceito, discriminação e rejeição. Quando retorna ao Japão, dedica-se a pesquisar documentos e relatos sobre a presença missionária jesuíta portuguesa na região de Nagasaki. O resultado é Silêncio¹, livro baseado na história das missões jesuíticas portuguesas no Japão do século XVII. Uma história dramática, de sofrimento intenso, de muitos martírios, torturas indescritivelmente dolorosas, física e emocionalmente, uma perseguição implacável aos kirishitan (como os japoneses pronunciavam a palavra “cristão”), intolerância religiosa (tema que está na moda hoje) elevada à última potência, com objetivo explícito de erradicar qualquer traço de presença ou influência cristã no país.

O silêncio (Chimnoku, em japonês) do título do livro, é o silêncio de Deus². O livro, portanto, trata de um dos temas mais difíceis da teologia cristã em todos os tempos. Pois na Bíblia, Deus é apresentado como aquele que fala, e algo acontece: “Haja luz – e houve luz” (Gn 1.3 s). “Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” (Am 3.8). Mas, e quando este Deus que fala, se cala? E quando Deus não fala? Este é o dilema terrível trabalhado com maestria rara na obra de Endo. O prefácio do livro é escrito pelo próprio diretor, o respeitado e consagrado cineasta ítalo-americano Martin Scorcese, que assina clássicos como “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (1980), “A cor do dinheiro” (1986), e também de filmes que tratam de temáticas religiosas, como “A última tentação de Cristo” (1988) e “Kundun” (1997, este tratando do budismo tibetano). Fiquei curiosíssimo na época quando, neste prefácio, Scorcese anuncia que estava trabalhando na adaptação do livro de Endo para o cinema.

EM FILME, “SILÊNCIO” FOI ESNOBADO E DESPREZADO PELA ACADEMIA

Eis que finalmente, no início de 2017, o filme de Scorsese chegou às telas de todo o mundo. Filme longo, cerca de três horas de duração. Tremendamente bem conduzido, com atuações memoráveis: Andrew Garfield, que aos poucos se firma como o ator mais competente de sua geração, como o Padre Sebastião Rodrigues, e o já veterano Liam Neeson, como o Padre Cristóvão Ferreira, estão simplesmente magníficos em seus respectivos papeis. Neeson consegue expressar todos os seus sentimentos apenas com seu olhar, com a maneira como franze a testa, como abaixa o levanta os olhos enquanto conversa. Tristeza, revolta, acomodação, tudo está em seu olhar.

Inexplicavelmente o filme foi esnobado e desprezado pela Academia de Hollywood, pois recebeu apenas uma mísera indicação para o Oscar, e em uma categoria técnica: Melhor Fotografia, que por fim, não ganhou. Scorsese é um diretor experiente, trabalhou anos e anos neste filme, e não recebeu reconhecimento deste seu trabalho primoroso, nem da parte da muitas vezes incompreensível Academia, e nem da parte do grande público. Lamentável.

AS TORTURAS TERRÍVEIS SOFRIDAS PELOS CRISTÃOS CAMPONESES POBRES

O livro que inspira o filme é muito denso. É muito difícil, virtualmente impossível, passar para o cinema o turbilhão de emoções e sentimentos contraditórios que invadem a mente e o coração do jovem Padre Sebastião Rodrigues diante do cenário que encontra no Japão: em pouco tempo a missão jesuítica naquele país obtivera razoável sucesso. Há muitos convertidos entre os camponeses pobres. Mas o xogunato da época não tinha o menor interesse na presença de religiões vindas da Europa no Japão. Com objetivo declarado de eliminar todo e qualquer sinal da presença cristã no país, os xoguns usam torturas horríveis, que com o tempo se mostram capazes de esmagar o corpo e a mente do crente mais resistente. Logo chegam a Portugal rumores que o Padre Ferreira, a lenda dos jesuítas, haveria apostatado. Não se sabe se a notícia procede ou não. Dois padres jovens, o mencionado Rodrigues e seu colega Francisco Garpe (chamado de Garupe na legendagem brasileira), voluntariam-se para ir ao Japão e descobrir a veracidade ou não daqueles boatos. Já no Japão, são ajudados por Kichigiro, um japonês convertido ao cristianismo, mas que logo se revela pouco – ou nada – confiável.

O horror com que os padres Rodrigues e Garpe se deparam é indescritível. Eles logo se dão conta que no vocabulário vivencial dos xoguns não existem palavras como compaixão, misericórdia e perdão. Aldeias inteiras são massacradas. Os convertidos têm que esconder sua fé, e vivem constantemente com medo, desconfiam de tudo e de todos. Diante das autoridades, os criptocristãos se passavam por budistas, mas às ocultas, celebravam os ritos cristãos como podiam. Eles temiam particularmente a presença em suas aldeias de um destacamento de soldados armados enviados pelo xogum que obrigasse a todos os aldeões a um teste, para descobrir se eram ou não cristãos: todos eram organizados em uma fila e, um por um, teriam que pisar no que é chamado de “fumiê” – uma placa pequena com uma representação de Jesus crucificado. Quem não pisasse seria imediatamente identificado como cristão, e seria executado da maneira mais cruel, lenta e dolorosa possível. Quem pisasse, teria sua vida preservada, mas viveria o resto de seus dias com peso na consciência por não ter tido coragem de afirmar sua fé.

A presença dos padres lhes acende uma chama de esperança. Mas Rodrigues, em quem se concentra o foco narrativo do filme, começa a ter dúvidas atrozes: por que tanto sofrimento? Por que Deus permite tudo aquilo? Por que Deus não intervém? Por que o silêncio divino? Qual o sentido em tudo aquilo?

DE QUE VALE UMA FÉ QUE SÓ TRAZ SOFRIMENTO, PERSEGUIÇÃO E MORTE?

Por fim, o mistério é esclarecido: o Padre Ferreira havia mesmo renegado a fé – mas o fizera para salvar uma família de aldeões. O preço para salvar a vida daqueles camponeses pobres fora sua demonstração pública de apostasia. Aí está a malignidade genial de Inoue, o magistrado japonês responsável por erradicar do Japão por completo a presença cristã. Em um diálogo com o Padre Rodrigues, Inoue conta-lhe uma parábola: um rico senhor japonês tinha quatro concubinas em seu palácio, que viviam brigando entre si. Um dia expulsou as quatro, e passou a viver em paz. Rodrigues, inocentemente, responde que o homem tinha sido sábio em expulsar as quatro mulheres. Inoue então lhe explica que o rico senhor japonês era o próprio Japão, e as quatro concubinas, as nações européias católicas Portugal e Espanha, e as protestantes Inglaterra e Holanda. Logo, a motivação primeira de Inoue é nacionalista: ele quer um Japão livre da presença de credos estrangeiros. Em uma das sequências mais fortes do filme, Inoue pergunta a Rodrigues se este achava justo perturbar o povo japonês com uma fé que só lhes traria sofrimento, perseguição e morte. Com espanto, Rodrigues se dá conta que o inquisidor Inoue tem uma visão do cristianismo muito maior que ele jamais suspeitara.

Rodrigues não tem resposta para as perguntas de Inoue. O jovem missionário, idealista e romântico em sua visão da vida, é colocado frente ao mesmo dilema que, não muitos anos antes, Ferreira tivera de enfrentar. E sua decisão é a mesma de seu mentor: ele renuncia a fé cristão para salvar a vida de aldeões pobres.

Padre Rodrigues tem de enfrentar as traições e pedidos de perdão de Kichigiro. E descobre que, não raro, ele age em relação com Deus como o detestável e inconstante guia japonês. Rodrigues se dá conta que não é de modo algum melhor que Kichigiro. Na verdade, todos somos Kichigiro.

NOTAS:
1. A primeira edição do livro traz o artigo definido masculino singular – O silêncio. Já a segunda edição traz simplesmente Silêncio, sem o artigo. Observe-se que o artigo também é inexistente na versão inglesa – Silence. A eliminação do artigo é fiel ao original japonês.
2. Para uma abordagem do silêncio de Deus em perspectiva da teologia bíblica, consultar, José Baez, Silvio. Quando tudo se cala. O silêncio na Bíblia. São Paulo: Paulus, 2011, p. 117-166.
3. Para detalhes, consultar, entre outros, Philip Jenkins. A próxima Cristandade. A chegada do cristianismo global. São Paulo: Record, 2004.

• Carlos Caldas é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Minas.

CURSO DE BÍBLIA | Introdução Bíblica

INTRODUÇÃO BÍBLICA | A segunda disciplina da grade curricular do Curso de Bíblia será ministrada por mim. Se o tema lhe interessa, mande uma mensagem para a irmã Saiomara (99131-8550) e matricule-se. Ainda dá tempo…

“SMARTPHONES SÃO PERFEITOS PARA VICIAR”, DIZ PROFESSOR AMERICANO

GAZETA DO POVO | Quem cria videogames, segundo especialista, não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos

Em um novo livro, “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” (Irresistível: o crescimento da tecnologia que nos vicia e o que é feito para nos manter assim), o psicólogo social Adam Alter adverte que muita gente – jovens, adolescentes, adultos – é viciada em produtos digitais modernos. Não no sentido figurado, mas literal. Alter, de 36 anos, é professor associado da Faculdade de Administração Stern da Universidade de Nova York, e pesquisa psicologia e marketing. Confira a entrevista:

O QUE O FAZ PENSAR QUE AS PESSOAS ESTÃO VICIADAS EM DISPOSITIVOS DIGITAIS E MÍDIAS SOCIAIS?
Antigamente, víamos o vício como algo basicamente relacionado a substâncias químicas: heroína, cocaína, nicotina; hoje, temos o fenômeno do vício comportamental no qual, segundo me disse um líder de indústria de tecnologia, a pessoa passa quase três horas por dia presa ao celular; no qual o adolescente chega a passar semanas sozinho no quarto, jogando videogame; no qual o Snapchat orgulhosamente relata que seus jovens usuários abrem o aplicativo mais de 18 vezes por dia. Os vícios comportamentais estão bem disseminados hoje. Um estudo de 2011 sugeriu que 41% das pessoas têm pelo menos um deles, mas esse número certamente deve ter aumentado com a adoção de novas plataformas de redes sociais mais viciantes, tablets e smartphones.

COMO VOCÊ DEFINE “VÍCIO”?
A definição que adoto é a que o relaciona a algo que você gosta de fazer em curto prazo, mas que prejudica o seu bem-estar em longo prazo – e que você faz compulsivamente mesmo assim. Somos biologicamente propensos ao vício nesse tipo de experiência. Se você colocar alguém na frente de uma máquina caça-níqueis, seu cérebro, de forma qualitativa, irá se parecer com o de quem usou heroína. Se você é alguém que joga videogame compulsivamente – não todo mundo, mas as pessoas que são viciadas em um jogo em particular –, no momento em que ligar seu computador, seu cérebro ficará parecido com o de alguém que usa drogas. Fomos projetados de tal forma que, quando uma experiência estimula os locais certos, nosso cérebro libera dopamina. Você recebe uma enxurrada desse neurotransmissor, que faz com que se sinta maravilhoso em curto prazo, embora em longo prazo você desenvolva um nível de tolerância e acabe querendo mais.

AQUELES QUE DESENVOLVEM AS NOVAS TECNOLOGIAS COMPREENDEM O QUE ESTÃO FAZENDO?
Quem cria videogames não diz que quer criar viciados, só que você passe o maior tempo possível com seus produtos. Alguns jogos para smartphones exigem que você pague para jogar, então querem que você continue jogando. Os desenvolvedores de jogos colocam certa quantidade de “recompensa”, assim como acontece com os caça-níqueis, permitindo vitórias ocasionais para manter seu interesse. Não é de surpreender, portanto, que os desenvolvedores muitas vezes testam diferentes versões de um lançamento para ver qual delas é mais irresistível, qual irá manter sua atenção por mais tempo. Funciona. Para o livro, falei com um jovem que estava sentado na frente do computador jogando videogame por 45 dias consecutivos! O jogo compulsivo destruiu outros aspectos da sua vida. E acabou em uma clínica de reabilitação no estado de Washington, a reSTART, especializada no tratamento de jovens com vício em jogo.

PRECISAMOS DE UMA LEGISLAÇÃO QUE NOS PROTEJA?
Essa não é uma má ideia a se considerar, pelo menos para os jogos on-line. Na Coreia do Sul e na China, há propostas de algo que chamam de Leis da Cinderela. A ideia é evitar que as crianças acessem certos jogos depois da meia-noite. O vício em jogos e na internet é um problema sério em toda a Ásia Oriental. Na China, há milhões de jovens com esse problema. Tiveram que criar locais onde os pais internam seus filhos durante meses para serem tratados com terapia, fazendo um regime de desintoxicação.

POR QUE VOCÊ AFIRMA QUE MUITOS DOS NOVOS APETRECHOS ELETRÔNICOS PROMOVEM VÍCIOS COMPORTAMENTAIS?
Bom, é só ver o que as pessoas estão fazendo. Em uma pesquisa, 60% dos adultos disseram que dormem com o celular ao lado da cama. Em outra pesquisa, metade dos entrevistados afirmou verificar seus e-mails no meio da noite. Além disso, esses novos aparelhos se tornaram o meio perfeito para a mídia viciante. Se os jogos e mídias sociais antes eram limitados ao computador doméstico, hoje os dispositivos portáteis permitem que você os acesse em qualquer lugar. Agora verificamos as redes sociais constantemente, o que interrompe o trabalho e a vida cotidiana. Estamos obcecados com o número de “curtidas” que nossas fotos recebem no Instagram, em vez de prestar atenção no caminhar que percorremos ou na pessoa com quem falamos.

QUE MAL HÁ NISSO?
Se você passa três horas por dia com o celular, não está passando esse tempo em interações cara a cara com as pessoas. Os smartphones têm tudo o que você precisa para desfrutar o momento, mas não exigem muita iniciativa. Você não precisa se lembrar de nada porque tudo está bem na sua frente. Não é preciso desenvolver a capacidade de memorizar ou de ter ideias novas. Acho interessante que Steve Jobs tenha dito em uma entrevista de 2012 que seus filhos não usavam iPads. Na verdade, há um número surpreendente de titãs do Vale do Silício que se recusam a deixar seus filhos perto de certos dispositivos. Há uma escola particular em San Francisco que não permite o uso de tecnologia, ou seja, nada de iPhones ou iPads. O fato mais interessante desse colégio é que 75% dos pais são executivos de tecnologia. Resolvi escrever “Irresistible” quando fiquei sabendo dele. O que há nesses produtos que os tornam, aos olhos dos especialistas, tão perigosos?

VOCÊ TEM UM FILHO DE 11 MESES DE IDADE. COMO VOCÊ INTERAGE COM SUAS TECNOLOGIAS QUANDO ESTÁ COM ELE?
Tento não usar o celular perto dele. Na verdade é uma das melhores atitudes para me forçar a não usá-lo tanto.

VOCÊ É VICIADO NISSO?
Acho que sim. De vez em quando me vicio em vários jogos. Como muitas pessoas da pesquisa que mencionei anteriormente, sou viciado em e-mail. Não consigo parar de checar. Não consigo dormir se não limpo minha caixa de entrada. Deixo meu celular ao lado da cama, mesmo tentando evitar fazer isso. A tecnologia foi projetada para nos pegar desse jeito. O e-mail não acaba nunca; as redes sociais são infinitas. Twitter? O feed nunca termina. Você poderia passar 24 horas por dia lá e nunca chegaria ao fim. Por isso, você volta querendo mais.

SE VOCÊ ESTIVESSE ACONSELHANDO UM AMIGO A LARGAR UM VÍCIO COMPORTAMENTAL, O QUE SUGERIRIA?
Pediria que pensasse em como está permitindo que a tecnologia invada sua vida. Depois, diria para isolá-la. Eu gosto da ideia de, por exemplo, não responder e-mails depois das seis da tarde. Em geral, aconselharia a encontrar mais tempo para estar em ambientes naturais, para se sentar frente a frente com alguém em uma longa conversa sem qualquer tecnologia na sala. Deveria haver momentos do dia parecidos com os da década de 1950, nos quais você se senta em algum lugar e não consegue dizer em que época está. Não deveríamos olhar tanto para telas.